Autor: Redazione

Rito Ambrosiano e Rito Romano: vamos ver as diferenças juntos

Rito Ambrosiano e Rito Romano: vamos ver as diferenças juntos

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A noite de São Lourenço: a noite das estrelas cadentes

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A história de Adão e Eva

A história de Adão e Eva

Quem não conhece a história de Adão e Eva, os primeiros homem e mulher? Mas temos tanta certeza de que realmente os conhecemos? Vamos relembrar juntos a história.

Eva e Adão são considerados pelos católicos como sendo os progenitores de toda a raça humana. A história deles nos é contada desde que éramos crianças, e é ao mesmo tempo bela e terrível, porque conta o imenso amor de Deus, que escolheu criar estas duas criaturas especiais para lhes dar o dom do mundo maravilhoso que acabava de brotar de suas mãos, mas também conta o pecado original e como o primeiro homem e a primeira mulher decepcionaram seu Pai, merecendo ser expulsos de seu Paraíso.

Mas a história de Adão e Eva esconde significados muito mais profundos, que certamente merecem um exame mais atento. Basta pensar no facto de que aceitar a sua existência significa reconhecer que toda a humanidade descende do mesmo casal e, portanto, que somos todos uma grande família. Este é um conceito não insignificante, especialmente em tempos em que o amor, a fraternidade e a misericórdia são constantemente questionados.

Vale a pena, portanto, parar um momento para considerar esta história antiga e fascinante e os significados que ela esconde, que têm sustentado a doutrina católica desde as suas origens. Conceitos como o pecado original e a maçã do pecado têm condicionado e regulado a vida de inúmeros homens e mulheres ao longo dos milênios, e ainda hoje vivemos com o legado daquela culpa, aquela marca de infâmia que marcou toda a humanidade, e que só o sacrifício de Jesus foi capaz de colocar em questão.

A criação de Adão e Eva

A história verdadeira de Adão e Eva é contada na Bíblia, mais precisamente no livro de Gênesis.

Neste livro, são descritos os dias da Criação, quando Deus quis dar à luz o mundo que conhecemos e tudo o que nele existe. No espaço de cinco dias Ele criou os céus, a terra, a luz, as estrelas, todos os peixes, os pássaros e os animais.

No sexto dia, ele decidiu criar o Homem.

E Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem, à nossa semelhança, para que ele tenha domínio sobre os peixes do mar e sobre as aves do céu, sobre o gado, sobre todos os animais selvagens e sobre todos os répteis que se arrastam sobre a terra”. Deus criou o homem à sua própria imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Deus os abençoou e lhes disse: “Sede fecundos e multiplicai-vos e enchei a terra; sujeitai-a e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves do céu e sobre todo ser vivente que se arrasta sobre a terra” (Gênesis 1:26-28).

No entanto, há uma segunda versão deste mesmo episódio na Bíblia:

Então o homem impôs nomes a todo o gado, a todas as aves do céu e a todos os animais selvagens, mas o homem não encontrou ajuda que lhe fosse semelhante. Então o Senhor Deus fez descer um estupor sobre o homem, que adormeceu; removeu uma de suas costelas e trancou a carne em seu lugar. O Senhor Deus moldou uma mulher a partir da costela que ele havia tirado do homem e a trouxe para o homem. (Gênesis 2:20-22)

Estas duas versões são chamadas, respectivamente, Fonte Sacerdotal e Fonte Jahvist, e estão relacionadas com a hipótese documental, formulada pelo estudioso alemão Julius Wellhausen, segundo a qual os primeiros cinco livros da Bíblia, o chamado Pentateuco (Torá para judeus), a saber, Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, não foram escritos apenas por Moisés, mas por quatro autores prováveis, cujas iniciais compõem a sigla JEDP.

Como podemos ver, os dois relatos da Criação do primeiro homem e da primeira mulher apresentam algumas diferenças substanciais. No primeiro, Deus criou Adão e Eva ao mesmo tempo, ambos à sua própria imagem, e os fez mestres do Jardim do Éden. No segundo, Adão foi criado primeiro, e só Deus lhe deu o domínio sobre as coisas e animais que ele tinha criado. A mulher veio mais tarde. Naturalmente, não é este o lugar para aprofundar estes dois pontos de vista, mas as implicações que as duas diferentes interpretações tiveram na história da Igreja e da humanidade, especialmente no que diz respeito à relação entre homens e mulheres, são óbvias.

A história de Adão e Eva para as crianças

Além das interpretações e estudos acadêmicos de distintos estudiosos bíblicos, como podemos contar a história de Adão e Eva de uma maneira simples? Por exemplo, se o disséssemos às crianças, como poderíamos proceder? O que deve sobressair aos olhos das crianças desta história é o grande amor de Deus, que criou um mundo maravilhoso para dar a homens e mulheres. Será essencial que as crianças compreendam que, como tudo à sua volta é fruto desse amor, é seu dever respeitá-lo e protegê-lo, desfrutá-lo e nunca tomá-lo como certo, como acontece demasiadas vezes. Então será certamente útil fazêlos compreender a seriedade da desobediência de Adão e Eva, que comeram a maçã apesar de Deus lhes ter ordenado que não o fizessem, deixando-os livres para comer todos os outros belos e saborosos frutos que abundavam no Jardim do Éden. Para enfatizar este ponto, pode ser útil fazer uma comparação com a desobediência das próprias crianças, que escapam aos deveres e recomendações dos pais. Deveres e recomendações feitas sempre e somente para o seu próprio bem. Mais uma vez, será importante sugerir-lhes o conceito de livre arbítrio: Deus deixou a Adão e Eva a escolha de fazer o que eles queriam, mesmo a escolha de amá-lo ou não. Ele não os obrigou a fazer nada, tudo o que ele fez por eles foi um dom maravilhoso, e mesmo assim eles o decepcionaram pela sua ingratidão. A história pode ser algo parecido com isto:

Deus é tão bom que um dia ele decidiu criar um jardim maravilhoso. Ele o encheu de plantas, flores, animais de todos os tipos e, acima dele, ele colocou o céu, com o sol, a lua, as estrelas. Quando terminou, ele criou o primeiro homem, Adão, e a primeira mulher, Eva, e quis dar-lhes este Jardim do Éden. Adão e Eva seriam livres para ir onde quisessem, para aquele mundo onde não houvesse dor, nem doença, nem morte, e para comer todos os frutos que cresciam nas árvores do jardim, exceto as maçãs da árvore no meio do jardim.
Apesar dos conselhos de Deus, Eva foi tentada por uma serpente má, que lhe disse que o fruto daquela grande árvore lhe permitiria compreender a diferença entre o bem e o mal. Eva pegou um pedaço de fruta da árvore proibida, comeu-o e ofereceu-o a Adão.
Deus descobriu imediatamente a sua desobediência, e sofreu muito. Ele tinha feito tudo por eles, tinha criado um paraíso e o tinha dado a eles sem pedir nada em troca. Como castigo, ele os mandou para longe do Paraíso terrestre e os condenou, assim como a todos os seus descendentes, à dor e à morte.

Adão e Eva: a história da maçã e do pecado original

A história da maçã, o fruto proibido que supostamente fez Adão e Eva iguais a Deus, dando-lhes o conhecimento do bem e do mal, não é apenas uma história de crianças. Pelo contrário, é a base da religião católica. De fato, a conseqüência do pecado original foi a queda do homem, a quebra do pacto tácito entre ele e Deus, cujos efeitos têm sido sentidos por toda a humanidade durante milênios.

É a partir desse único ato de desobediência que todos os males do homem se originam. Antes disso, o homem era perfeito, imune a doenças e ferimentos, imortal, feliz. Este ato decorre do desejo do homem de poder decidir por si mesmo o que é bom, o que é mau, em vez de confiar na infinita sabedoria e no infinito amor de Deus.

A história do pecado original, desde a tentação da serpente, até o ato de Eva de tirar a maçã da árvore e oferecê-la a Adão (árvore que não deve ser confundida com a árvore da vida. Você pode encontrar mais informações no artigo dedicado ao significado da árvore da vida) , está impregnada de referências a inúmeros relatos sagrados anteriores. É interessante como as palavras da serpente tentadora são suficientes para incutir na primeira mulher a semente da dúvida, a convicção de que a ordem de Deus para não comer o fruto da árvore era injusta. Acima de tudo, é instigante pensar que a promessa da serpente, dizendo a Eva que ao comer a maçã proibida, ela e Adão ganharão conhecimento do bem e do mal, tornando-se na prática como Deus, é tão irresistível.

Adão e Eva banidos do paraíso

Após a maçã ter sido colhida e provada, porém, a primeira e única coisa de que Adão e Eva se dão conta é da sua própria nudez. A vergonha é o primeiro sentimento negativo vivido pelo primeiro homem e mulher, um instante após a sua queda.
Imediatamente após descobrir sua desobediência, Deus convoca os três culpados, que tentam se exonerar culpando um ao outro.

O castigo de Deus atinge a todos, primeiro a serpente, que é amaldiçoada, depois a mulher, Eva, condenada aos sofrimentos do parto e a ser submetida ao homem, e finalmente Adão, condenado a ter de tirar com labuta e suor os frutos da terra que até então tinham sido pródigos e generosos com ele. Finalmente, e este é certamente o pior mal resultante deste ato irrefletido, Deus condena o homem e a mulher, e com eles todos os seus descendentes, à morte física, enquanto que antes eles eram imortais. Serão necessários milhares de anos, e o advento de Jesus Cristo, antes que esta terrível ruptura possa conhecer a esperança de reconciliação. Em Jesus, os filhos de Adão conhecem a possibilidade de redenção, a miragem da vida eterna no fim dos tempos, e somente para aqueles que sabem merecê-la.

Quem eram os filhos de Adão e Eva

Uma vez expulsos do Éden, Adão e Eva tiveram vários filhos, de acordo com a tradição de 14 a 140. Os únicos três mencionados na Bíblia, no entanto, são Caim, Abel e Seth.  Caim casou com a irmã gémea de Abel, Calmana, Abel casou com a irmã gémea de Caim, Deborah. Mais tarde, após a morte de Abel, Caim, o seu assassino, casou com a sua irmã Awan, com quem foi pai de um filho, Enoque. Seth casou com sua irmã Azura, que deu à luz a Enos, de cuja descendência nasceriam Noé e seus filhos. Os descendentes de Caim, por outro lado, tornaram-se criadores de gado nômades e aprenderam a arte da forja do metal, mas se distinguiram pela violência e pela prática da poligamia.

Festa de Nossa Senhora de Agosto

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Famosos ícones russos: os 5 ícones mais importantes

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Porquê acender uma vela na igreja?

Porquê acender uma vela na igreja?

Nós já falámos sobre a importância que a luz tem na esfera da religião Cristã; para além disso, velas acesas numa igreja são uma expressão importante da luz como manifestação do amor de Deus. Velas pascais, velas de batismo, a vela segurada nas mãos dos cônjuges durante um casamento, as velas que queimam à volta do caixão de um falecido são apenas alguns exemplos do uso de velas litúrgicas durante celebrações religiosas.

Luz como manifestação de Deus então, como a Sua primeira manifestação tendo em conta que foi a primeira coisa que Ele criou na sua infindável benevolência e sabedoria, e com ela, Ele fez toda a Criação visível. Luz como símbolo de Cristo, que disse sobre si mesmo: “Eu sou a verdadeira luz”, e isso para nós todos personifica a Luz de Deus que ilumina o mundo, que desafia a morte e força a escuridão a retirar-se. Durante o Batismo, o sacramento que sanciona a entrada do novo Cristão na sua vida religiosa, o pai ou padrinho acende a vale do Batismo, usando a chama da vela pascal queimando ao lado da pia Batismal ou do altar para a ocasião. Desta forma, a criança tornar-se-á um filho da luz, destinado com a sua vida, as suas ações, a sua fé, a alimentar esse fogo do amor acendido para saudar o seu renascimento. A vela Pascal por outro lado, recorda a Ressurreição, a nova vida a começar com a perda dos pecados, graças ao sacrifício que Jesus fez por todos nós.

luz e manifestação de deus

Mas há também uma dimensão mais íntima, ligada à prática de acender uma vela na igreja, algo que diz respeito a cada devoto e o seu diálogo silencioso com Deus. Uma vela acesa torna-se o símbolo de fogo divino a queimar dentro de todos nós, a expressão de uma paixão flamejante que nos aquece e nos faz parte dessa luz que Jesus simboliza, mas da qual todos os Cristão fazem parte. Portanto, toda a vez que compramos velas votivas, toda a vez que paramos para acender uma vela para a Virgem Maria enquanto vamos à igreja ou a uma Capela de um Santo do qual nos sentimos próximos, nós efetuamos um ato de amor por Deus, Jesus e a sua Mãe Sagrada. Tal amor, feito do fogo vibrante daquela pequena chama, mas acima de tudo feito da devoção permeando-nos e das preces que sussurramos enquanto o fazemos, adquire um imenso valor simbólico. Claro, não é apenas acender a vela, ou conseguir um dos melhores lugares nos lampadários da igreja, talvez a apagar a vela de outra pessoa para ter uma posição privilegiada! Se nós pensarmos nisso sobre outra coisa, com a nossa mente a indagar-se sobre o que temos que fazer fora da igreja, os nossos empenhos, os nossos pensamentos, as nossas preocupações, mais vale não o fazer. Não é só mais uma vela acesa que deixará Deus satisfeito ou agraciado. Ele criou a luz, ele com Certeza não precisará da nossa vela!

Tudo reside no espírito em que estamos enquanto fazemos este ato de devoção e fé, o significado que damos a isso no momento em que compramos a vela até ao momento em que a acendemos, até ao momento em que a colocamos no pedestal. Exatamente por essa razão, o uso de velas elétricas na igreja não retira nada da solenidade e santidade do nosso sacrifício. Esteticamente falando, velas elétricas podem parecer um pouco menos evocativas, mas têm muitas vantagens em termos de segurança e limpeza, e Deus aprecia-as da mesma forma que velas tradicionais. O mesmo pode ser dito de velas de cera líquida, recarregáveis e também mais seguras das velas tradicionais. Por essas razões, não há necessidade de pagar demasiado para comprar grande velas extremamente decoradas. Uma vela tão grande quanto a vela do Batismo não garantirá uma graça maior, e será ainda mais difícil de utilizar.
Mas há mais. Acender uma vela na igreja, ou segurar uma durante uma procissão ou ritual comunitário, tem um profundo propósito unificador. Em tais ocasiões, o nosso amor torna-se unânime, como um hino cantado por muito vozes jubilantes em conjunto. Não somos só nos, nem a nossa chama esvoaçante, mas tornamo-nos parte de uma união feita de amor e calor, muitos fragmentos de luz a aquecer na paixão da nossa fé, na infindável benevolência e olhar brilhante de Deus.

Mais, a vela simboliza a luz do conhecimento, que pode guiar-nos pela escuridão. Um conhecimento que reside apenas na palavra de Deus, um guia e luz no caminho daqueles que acreditam e confiam Nele. Ignorância e incapacidade é o que espera a estas almas conscientes da desgraça em direção à escuridão e morte, na qual podem apenas vaguear sem esperança.
A vela é, portanto, um símbolo, um meio de exprimir o nosso amor e a nossa devoção. Não é o propósito. Junta a vida de cada devoto até fora da celebração litúrgica, mostra a intenção de súplica a Jesus, Virgem Maria, os Santos, e podemos dizer que acender uma vela estende a oração, e amplifica-a! Pode também ser um pedido de ajuda, uma súplica silenciosa com a qual tentamos chamar a atenção de Alguém de um plano superior, que nos pode ajudar com um encorajamento ou uma bênção. Em apenas uma palavra, acender uma vela é um sinal tangível de fé, especialmente se vier com uma oferenda, que, mesmo pequena, mostra um sacrifício pessoal que apenas o recetor pode apreciar.

Há também dias sagrados associados com velas. Se pensarmos no Judaísmo, as velas são acesas na sexta-feira à noite para celebrar o início do Shabbat, ou os Dias Sagrados do Hanukkah, a Celebração das Luzes, quando todas as noites durante oito dias consecutivos uma vela é acesa para comemorar a consagração de um novo altar no Templo de Jerusalém. Na religião Católica, nós podemos considerar a Candelária como a “celebração das velas”, que, quarenta dias depois do Natal, relembra a apresentação do Menino Jesus ao templo. É uma ocasião para celebrações durante as quais, entre outras coisas, muitas velas são abençoadas, e são mais tarde acesas para celebrar Jesus como o portador da Luz, mas também para celebrar o fim do inverno, porque, de acordo com tradições agrícolas ancestrais, daquele momento para a frente começará a primavera.

Onde pode comprar velas votivas para a igreja?
Pode facilmente encontrá-las em lojas de artigos religiosos, em pequenas lojas perto das igrejas ou batistérios. Nos últimos anos, as vendas online de velas tornaram-se populares, e há muitos websites de e-commerce com uma vasta variedade de velas de todos os tipos: velas simples de igreja, velas pascais, e até velas do Advento, que têm de ser acesas quando se aproxima o Natal.

Dar esmolas: é caridade?

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As diferenças entre o Judaísmo e o Cristianismo

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Quais são as diferenças entre o Judaísmo e o Cristianismo? O Deus dos judeus é igual aos cristãos? Vamos tentar descobrir juntos o que divide (e une) duas das religiões mais difundidas do mundo. Certamente teremos nos perguntado quais são as diferenças entre o Judaísmo…

O Botafumeiro: o maior turíbulo do mundo

O Botafumeiro: o maior turíbulo do mundo

O Botafumeiro. Um nome engraçado e exótico que evoca sugestões de um passado distante, memórias de uma história ancestral contada nos cruzamentos de várias ruas por inúmeros homens falando diferentes línguas, mas no final contando as mesmas coisas durante séculos. O que é? É o maior turíbulo no mundo, guardado num dos locais de culto que caraterizou a história cristã do Ocidente desde a idade medieval: a Catedral de Santiago de Compostela. Vamos descobrir algo mais sobre este objeto, sobre a sua história, e, claro, sobre o inacreditável local onde está, e onde muitos peregrinos podem admirar o seu balanço vertiginoso nas suas cabeças ainda hoje em dia.

A Catedral de Santiago de Compostela é um dos locais de peregrinação mais famosos do mundo. É localizada na cidade homónima da comunidade autónoma da Galiza em Espanha, um lugar que foi considerado um dos mais importantes centros do Cristianismo desde a idade medieval. Lendas ancestrais dizem que este foi o local onde as almas dos falecidos se reuniam para fazer o percurso até ao mar, seguindo o caminho do sol durante o pôr-do-sol. Para além destas sugestões fascinantes, Santiago de Compostela deve a sua fama à sua catedral, igreja mãe da arquidiocese de Santiago de Compostela, e um dos mais importantes santuários do mundo. Porquê tanta excelência? Na sua cripta, a Catedral de Santiago de Compostela guarda os restos mortais do apóstolo Tiago de Zebedeu, também conhecido como Santiago Maior patrono de Espanha, e venerado neste país como Santiago (de Santo Jacobi, em espanhol Sant-Yago). De facto, a Lenda Dourada diz que Santiago o Maior, após a morte de Jesus, abraçou o seu trabalho de evangelização por França e Espanha, até à Galiza. A palavra Compostela por sua vez, vem de Campus Stellae (campo de estrelas, devido às luzes estranhas que se parecem com estrelas vistas pelo eremita Pelágio no monte Librédon, que permitiu a descoberta do túmulo de Santiago), ou talvez de Campos Tellum (campo de enterro), referindo-se ao lugar de enterro do Santo.

O túmulo do Santo foi descoberto no século IX, e as obras para construir a majestosa Catedral de Santiago de Compostela começaram em 1075. A Catedral de Santiago desenvolveu-se com o tempo, enriquecida com muitas relíquias e tornou-se a etapa final de uma das peregrinações mais famosas desde a idade medieval: os Caminhos de Santiago de Compostela.

O caminho de Santiago de Compostela

O caminho de Santiago

É um longo percurso de 800km, e deve ser completado dentro de um mês. O percurso atravessa França e Espanha, mesmo que haja um percurso alternativo chamado Caminho Português, que vai de Lisboa para Santiago. Os peregrinos que queriam chegar a Santiago de Compostela tinham muitas opções. Foram todas coletadas no Codex calixtinus (o Liber Santi Jacobi) e são populares ainda hoje em dia:

A Via Francigena era aquela escolhida por aqueles que vinham de Itália. A certa altura, assim que os peregrinos tivessem cruzado o passo do Monte Cénis ou o Colo de Montgenèvre, funde-se com a Via de Arles (via Tolosana), que liga Arles e Toulouse, e foi usada pelos peregrinos que vinham do Sul da Alemanha. Uma outra forma era a rota de Le Puy, de Lyon e Le Puy-en-Velay, que atravessa os Pirinéus em Roncesvalles; depois a rota de Vézelay, a rota de Turonensis, pela cidade de Tours, onde peregrinos de Inglaterra, da Holanda e do norte da Alemanha se reuniam.

Os peregrinos vindos dos portos Atlânticos do norte da Europa podem escolher a via ancestral de Ruta de la Costa, a primeira a ser percorrida de sempre, a começar pelos portos de costa norte de Espanha onde navios ancoravam.

A travessia dos Pirinéus incluia, e inclui hoje em dia, a passagem por Roncesvalles em direção a Estella (o Caminho francês, ou via francesa, a mais usada ainda hoje), ou por Somport (Caminho Aragonês, via aragonesa). O Caminho aragonês toca Jaca, Sangüesa, Enériz; o Caminho francês toca Pamplona, Logroño, Burgos e León. As duas vias juntam-se em Puente de la Reina, onde o Monumento ao Peregrino com a sua escrita cravada mantém-se: “Y desde aquí todos los Caminos a Santiago se hacen uno solo”, A partir daqui todos os Caminhos para Santiago tornam-se um só.

Um dos lugares mais significantes do caminho é a Cruz de Hierro (cruz de ferro), nos Montes de Leon, próxima a Foncebadón, 250 km de Santiago de Compostela. Em tempos antigos havia um templo pagão dedicado a Hermes, protetor dos viajantes. É um lugar cheio de força simbólica, onde um sugestivo e ancestral ritual é celebrado: cada peregrino, ao partir para o caminho, escolhe uma pedra tão grande quanto considera apropriada comparada aos pecados pelos quais ele quer receber graça divina. O peregrino carrega a pedra até à Cruz de Hierro, e acrescenta-a às outras pedras nos pés da cruz. Alguns peregrinos escolhem deixar objetos de uso pessoal também.

As preces do peregrino

Há muitas preces de peregrinos escritas com o passar dos séculos e que são agora parte da tradição dos Caminhos de Santiago. Há para qualquer etapa da viagem, desde o ponto de partida até à chegada, em frente ao túmulo de Santiago. Peregrinos famosos deixaram umas quantas, tais como a que João Paulo II recitou em frente ao túmulo do Santo em agosto de 1989, enquanto visitava Santiago de Compostela para o Dia Internacional da Juventude. Em particular, queremos citar a prece afixada na igreja Romanesca de S. Maria La Real em O Cebreiro: a prece peregrina. Iremos apenas mencionar a primeira estrofe:

Apesar de ter viajado todas as estradas,,
cruzado montanahs e vales do Este ao Oeste,
se eu não tiver descoberto a liberdade de ser eu próprio,
eu não cheguei a lado nenhum.

O Botafumeiro

Botafumeiro pt

Falemos do Botafumeiro, ou turibulum magnum, o verdadeiro personagem principal do nosso artigo. É um dos mais famosos e importantes símbolos da Catedral, bem conhecido por todo o mundo. É usado em casos de missas solenes e celebrações particulares durante o Ano Sagrado.

É um incensário de igreja, ou turíbulo (do latim thuribulum, cujo prefixo thur significa incenso), tal como já mencionámos, isso é, um grande recipiente (neste caso, é mesmo enorme!) onde incenso em grãos é queimado. O turíbulo é um elemento recorrente em muitas religiões antigas e modernas. “Deuses adoram cheiros”, como os antigos egípcios costumavam dizer. Durante milénios as pessoas acreditavam que os fumos que vinham do incense eram particularmente apreciados por deuses durante celebrações religiosas. Não só isso, o incense era também usado para purificar o ar, para o libertar de negatividade espiritual. Turíbulos eram usados de formas diferentes durante celebrações religiosas de qualquer era ou cultura, para perfumar, curar, purificar e proteger. Na liturgia Católico-cristã, o incense é queimado para simbolizar louvor e adoração a Deus. Muitas vezes, é também uma dádiva, uma honra que damos a Ele, alguma forma de sacrifício reservado a Alguém realmente importante e único.

Atualmente é muito popular queimar incenso em casa também. Mais uma vez, se considerarmos o prazer do seu cheiro por um lado, este gesto também esconde uma vontade de purificar o ambiente não só de maus odores, mas também de presenças malignas e energias negativas. O fenómeno de queimadores de incenso em casa é muito popular, e não só aqueles que têm fortes crenças religiosas que o praticam.

Mas voltemos ao turibulum magnum.

O Botafumeiro é feito de latão e prata, mede 16 metros de altura e pesa cerca de 50 kg; quando está cheio de carvão e incenso, pesa mais de 100 kg. Quando é usado, é suspenso a uma altura de 20 metros. Para o operar, são necessários oito homens, os chamados “tiraboleiros”, que lhe dão um movimento pendular (columpiar) usando um sistema complexo de cordas e roldanas, empurrando-o quase até ao teto da catedral a uma velocidade de cerca de 70 km/h. Uma exibição magnífica, quase hipnótica, que torna a celebração que ocorre lá dentro da catedral de Santiago de Compostela ainda mais sugestiva.

Efetivamente, o Botafumeiro teve a sua história, e o seu uso mudou com o passar do tempo. No início, de acordo com o Codex Calixtinus, não era exatamente um incensário usado durante cerimónias, mas um grande recipiente usado para queimar incenso e disfarçar o cheiro do peregrinos que procuravam abrigo dentro da catedral à noite.

No século XVI o rei Luis XI de França, chamado de l’universelle aragne, “a aranha universal”, doou dinheiro para a catedral, e permitiu a construção do turíbulo em 1554. Na altura, era apenas um pote de prata. Outra tradição diz que o próprio rei doou o pote para a catedral. De qualquer forma, exércitos de Napoleão mais tarde roubaram-no.

O atual Botafumeiro existe desde 1851, e foi feito em latão e depois coberto em prata.

O Botafumeiro começou a balançar por cima das cabeças dos devotos reunidos na Catedral de Santiago pouco depois, e com o passar dos séculos, acidentes inevitáveis aconteceram, quando o grande incensário se separou das suas cordas, com consequências muitas vezes dramáticas. O mais famoso ocorreu a 25 de julho de 1499, na presença da Infanta Catalina (futura Catarina de Aragão), quando o turíbulo se separou do seu gancho e voou contra a porta da praça das Praterías, chocando contra ela violentamente, e em 1622, quando a corda que o segurava partiu-se e caiu no chão. Também no século XX um peregrino curioso, que se aproximou demasiado, acabou com costelas e nariz fraturados.

Quando é que o Botafumeiro é usado?

Até 1 de janeiro de 2017, era regularmente usado durante a Missa dedicada aos peregrinos na sexta-feira à noite às 19.30. Isto atualmente foi revogado até novas ordens. Efetivamente, enviando um email com uma oferta substancial (pelo menos 300 euros) ao Escritório do Peregrino, as pessoas podem pedir a ativação do Botafumeiro quando visitam Santiago de Compostela.

Para ver o Botafumeiro em ação, as pessoas precisam de ir até à Catedral nos dias dedicados às celebrações mais oficiais:

  • Celebração da Epifania do Senhor (6 de janeiro);
  • Pentecostes;
  • Dia da ascensão de Jesus aos céus (12 de maio);
  • Aniversário da Batalha de Clavijo (23 de maio);
  • durante o dia sagrado de Santiago (25 de julho);
  • A Assunção de Maria ao Paraíso (15 de agosto);
  • Dia sagrado de Todos os Santos (1 de novembro);
  • Imaculada Conceção da Abençoada Virgem Maria (8 de dezembro);
  • Natal Sagrado;
  • Comemoração da translação das relíquias da Santo Apóstolo (30 de dezembro).
O dia em que o Santo Sacramento chegou ao espaço

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Sentir a presença de Deus enquanto se está imerso num cenário natural particularmente majestoso e belo é algo que sempre acompanhou quase todos os crentes. De facto, como se pode ficar indiferente ao contemplar a magnificência do céu, atravessado por finos barcos feitos de nuvens…

Hóstias para celíacos: vamos clarificar um pouco o assunto

Hóstias para celíacos: vamos clarificar um pouco o assunto

O mundo moderno pode facilmente questionar qualquer coisa. Tradições centenárias, ações repetidas durante milénios, por múltiplas gerações, mesmo rituais codificados no tempo e mantidos inalterados desde o início dos tempos, exigem agora modificações para se adaptarem às necessidades do homem moderno. Nem sempre se trata…

Presépios no mundo inteiro: tradições diferentes que você não conhece

Presépios no mundo inteiro: tradições diferentes que você não conhece

A magia do presépio regressa para nos fascinar todos os anos. Tradição e inovações surpreendentes, costumes enraizados na névoa do tempo e odores reais. Vamos descobrir juntos o presépio do mundo e as suas curiosidades.

O presépio no mundo é uma tradição antiga e preciosa, que se renova todos os anos no Natal. É uma representação da Natividade de Nosso Senhor, e teve origem em nosso país nos tempos medievais. Embora as figuras principais e indispensáveis sejam a Virgem Maria, São José, o boi e o burro, assim como o Menino Jesus, que é colocado na manjedoura na véspera de Natal, e os Três Reis Magos, que chegam na Epifania, o presépio foi enriquecido com muitos outros personagens desde as suas origens. Em particular, os pastores com as suas ovelhas, convocados pelo anjo e que vêm para adorar o Santo Menino, e depois os camponeses, que trouxeram os seus humildes dons. Ao longo dos séculos, e com o desenvolvimento de tradições de natividade cada vez mais precisas, o presépio tornou-se uma reconstrução plástica cada vez mais rica e precisa. Basta pensar no suntuoso presépio napolitano, criado por volta de 1700, que ostenta um número impressionante de personagens codificados, cada um investido com um valor simbólico preciso. Mas na realidade, todas as tradições locais evoluíram ao longo do tempo. Hoje, o costume de criar um presépio não está apenas difundido no nosso país, mas em todo o mundo católico. E é precisamente sobre as particularidades que diferenciam as várias tradições na Itália e o presépio no mundo que gostaríamos de habitar.

O presépio napolitano

Já mencionámos a importância do presépio napolitano no estabelecimento desta tradição. Não se trata de uma reconstrução histórica do nascimento de Jesus. Na verdade, o cenário utilizado não é a Palestina no ano 0, mas Nápoles do século 18, com cenas da vida da cidade, ou alternativamente uma paisagem montanhosa que evoca uma aldeia, mas sempre com personagens em trajes do século 18. Embora o presépio napolitano fosse inicialmente uma prerrogativa das famílias nobres, é verdade que desde o início esta tradição desenhou do povo os seus modelos logísticos e, sobretudo, humanos. É por isso que o presépio napolitano, o’ Presebbio, combina espiritualidade e realismo, o sagrado e o profano, encenando personagens humildes, pobres e até deformados num teatro onde a componente humana emerge e, às vezes, prevalece sobre a componente religiosa. O presépio napolitano é composto por dois blocos distintos, o Mistério e o Divertimento. O primeiro é representado pela cabana, ou pelo estábulo, ou pela gruta onde Jesus nasceu, e os personagens que a povoam são a Sagrada Família, o boi, o burro e os anjos. O Diversorio, por outro lado, é um vasto mundo em que pastores e camponeses, vendedores e ciganos, peixinhos e jogadores se movimentam. Há pousadas, bancas, lojas, animais, carrinhos, muitas vezes até vislumbres de casas, cozinhas e quartos, revelando os detalhes de um minuto de vida. O presépio napolitano caracteriza-se também por certos personagens que se tornaram canónicos, cada um deles encarnando um símbolo preciso:

  • Benino, o pastor que sonha com a Natividade;
  • O pescador, a pesca de almas;
  • O vendedor de vinho, simbolizando a Eucaristia;
  • Cicci Bacchus, derivação pagã do deus do vinho e intoxicação;
  • Zi’ Vicienzo e zi’ Pascale, ou Carnaval e Morte;
  • A cigana, que prevê o futuro e com ele a paixão de Jesus;

para citar apenas alguns.

O presépio napolitano

Os doze vendedores de alimentos também simbolizam os meses do ano: o açougueiro representa Janeiro; o vendedor de queijo Fevereiro; o vendedor de frango Março, e assim por diante.

Os lugares do presépio napolitano também têm um forte valor simbólico: o rio representa a passagem do tempo e a barreira entre a vida e a morte, a taberna representa o pecado, o poço representa a comunicação entre acima e abaixo, o céu e a terra.

O presépio piemontês

Um dos protagonistas do presépio piemonteses é Gelindo, um pastor áspero e um tanto ou quanto bungo, mas suficientemente bom e generoso para dar a sua cabana a José e Maria para que ali possam encontrar refúgio. Ele é uma máscara, também protagonista de uma velha peça, a primeira testemunha do milagre da Natividade e símbolo de como Jesus, desde o seu nascimento, preferiu revelar-se a homens simples e humildes. Gelindo é normalmente representado vestindo roupas típicas de Monferrato, tocando as gaitas de foles ou carregando uma ovelha nos seus ombros. Às vezes sua esposa Alinda, sua filha Aurelia e seu criado Maffeo estão ao seu lado.

O berço siciliano

O presépio siciliano também tem seus personagens característicos. A tradição do presépio é muito popular e difundida na Sicília. O primeiro presépio documentado data de 1494, em Termini Imerese, mas durante muito tempo a criação das representações da Natividade permaneceu prerrogativa dos lugares de culto, primeiro, e depois das famílias nobres, que gostavam de enriquecer as suas casas com altares privados. Esta ‘moda’ veio de Nápoles, assim como muitas das influências do presépio siciliano são evidentemente derivadas do napolitano. Os cenários retratados nos antigos presépios sicilianos eram ruínas clássicas e paisagens bucólicas. Trapani tornou-se a capital da arte nativa siciliana, mas Caltagirone foi também o lar de muitos mestres de prestígio a partir de 1700.
Dois personagens típicos do presépio siciliano são Sbaundatu, ou scantatu ra stidda, e Zu Innaru (Tio Janeiro ou Gennaietto). O primeiro é um pastor que olha de boca aberta para o Cometa Star, cheio de admiração e espanto, e às vezes aponta para ele com o dedo; o segundo é um velho pastor frio sentado junto a uma fogueira acesa, com a qual se aquece e que também oferece a José e Maria para aquecer o menino Jesus. Outra personagem recorrente é Susi Pasturi, a pastora adormecida (susirisi em siciliano significa acordar).

O presépio flutuante em Cesenatico

Cesenatico ostenta um presépio muito especial, não tanto pela presença de personagens únicos, mas porque é feito inteiramente nos históricos barcos de pesca ancorados no porto do canal. Todas as estátuas deste presépio único são em tamanho natural e representam uma comunidade de pescadores que testemunha o nascimento milagroso de Jesus.

O presépio flutuante em Cesenatico

O presépio catalão

Saindo da Itália e descobrindo presépios ao redor do mundo, descobrimos que o presépio catalão tem uma estátua bastante incomum.O presépio catalão

É um homenzinho vestido com um típico traje catalão e um chapéu na cabeça, com as calças para baixo, com a intenção de desempenhar as suas funções corporais.

Mas o que levou os entusiastas do presépio catalão a colocar tal personagem no presépio? Mesmo para lhe dar uma posição central, porque se é verdade que muitas vezes ele é colocado num canto, muitas vezes ele é colocado em plena vista! Este personagem chama-se Caganercacanero. É um pastor defecante, e para os catalães é um símbolo de sorte, felicidade e prosperidade. Ai de mim se não o puseres no berço! Isso traria má sorte para todo o próximo ano.

O presépio na América do Sul

Por falar em presenças incomuns em presépios ao redor do mundo, o Peru também tem personagens, se você pode chamá-los assim, que você não pode encontrar em nenhum outro lugar do mundo. Por exemplo, em vez do tradicional boi e do burro, há uma ovelha e uma lhama na cabana com a Sagrada Família! É verdade, o animal lanoso típico dos Andes aquece o bebé em vez do burro mais canónico. Por outro lado, os presépios peruanos são muito bonitos e coloridos, graças aos personagens vestidos com trajes tradicionais coloridos. Muitas vezes o presépio é montado dentro de uma cabaça escavada, esculpida e pintada com decorações de Natal, e às vezes em pequenas canoas. Alternativamente, os presépios são montados ao ar livre e decorados com plantas suculentas. Os presépios sul-americanos frequentemente combinam influências católicas com reminiscências pagãs e folclóricas.

O presépio na América do Sul

No Brasil, o presépio foi introduzido pelos conquistadores, e foi inicialmente construído no estilo espanhol ou português, mas logo foi enriquecido com influências indígenas, e povoado com personagens mitológicos, como o gênio mau e a mula sem cabeça. No Equador e na Bolívia os presépios são montados em vários andares e aqui também o cristianismo e o paganismo se misturam em uma visão que mostra tanto a Natividade como elementos dos cultos pagãos locais. No Paraguai, não ter um presépio em casa é azar, então todos o fazem: grãos de arroz são colocados em uma mesa úmida e quando o arroz germina, uma paisagem é criada com pedras, animais de bambu e cacos de vidro colorido. Melancias, melões, flores de coco e abacaxis são colocados em toda a volta. No México, as estatuetas são brancas e douradas, ricamente decoradas com os tradicionais toucados, flores e alfinetes representando os espinhos dos pecados.

O presépio polaco

O presépio polaco ou szopka é muito diferente do que conhecemos, e é uma tradição muito importante no país. Os polacos não reconstróem o presépio colocando-o contra um pano de fundo naturalista, mas criam uma arquitectura complexa a partir de folhas de alumínio de cores vivas. O centro do presépio é geralmente uma catedral, mas também pode haver muitos outros edifícios com estruturas complicadas, por vezes atingindo vários metros de altura. Fazer estes presépios é uma paixão para muitos polacos, muitas vezes envolvendo todos os membros da família, com técnicas transmitidas de geração em geração.

O presépio polaco

O Presépio Provençal

O presépio provençal certamente não respeita o cenário canônico que se esperaria da Natividade. Como nos presépios napolitanos ou sicilianos, imita paisagens e formas arquitetônicas típicas da região.

Além disso, é tomado um cuidado especial em fazer as estatuetas, os chamados santões. O Syndicat National des Santonniers, com sede em Marselha, é um organismo representativo que reúne e protege os fabricantes de estatuetas de berço provençais, os santonniers.
Os cantores são feitos de barro e representam não só os personagens típicos do presépio, mas também figuras típicas do folclore provençal, tais como ciganos, flautistas, etc. Entre o final de novembro e até a Epifania, várias cidades da Provença realizam feiras dedicadas aos cantões: os foires aux santons. Marselha é o lar da mais antiga e espectacular destas feiras. Santons tomou posse na França durante a Revolução, quando os lugares de culto foram fechados e apenas o lar permaneceu para mostrar a devoção da família.

O berço africano

Os primeiros missionários enviados para evangelizar a África tentaram introduzir, entre outras formas de devoção, o presépio. Mas não foi fácil convencer os indígenas locais de que estas figuras de gesso, todas brancas, representavam Jesus e a Sagrada Família.

O berço africanoMais tarde, quando os presépios começaram a ser produzidos também em África, as figuras eram frequentemente moldadas em barro, esculpidas em ébano ou fundidas em bronze, enquanto Jesus era feito de marfim, de modo a sobressair o mais possível. Naturalmente, a aparência das figuras também refletia as pessoas e os costumes locais. Os Três Reis foram feitos à imagem de eminências locais, como o chefe da aldeia, os pastores carregavam instrumentos musicais e utensílios locais. Os animais típicos do presépio europeu foram substituídos por aqueles encontrados na savana.

O berço na Ásia

Também na Ásia foram os missionários que introduziram os presépios, com diferentes graus de sucesso. Eu materiali e anche le caratteristiche dei personaggi e degli animali dipendono dalle zone. Os primeiros presépios asiáticos eram feitos de madeira e bambu, e as estatuetas tinham características orientais.