Autor: Redazione

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A tradição popular da Barca de São Pedro

A tradição popular da Barca de São Pedro

Típica do Norte de Itália, a Barca de São Pedro une a devoção ao Santo Apóstolo e as crenças camponesas numa tradição fascinante, antiga e, ainda assim, muito viva.

Nas zonas rurais do Norte de Itália, em particular no Friuli-Venezia Giulia, no Véneto, no Trentino, na Lombardia, na Ligúria e no Piemonte, preserva-se um costume antigo e de grande carga simbólica, associado à festa dos apóstolos Pedro e Paulo, celebrada a 29 de junho. Trata-se da tradição da Barca de São Pedro, também conhecida como veleiro de São Pedro ou barquinha de São Pedro. Na noite entre 28 e 29 de junho, coloca-se ao ar livre um recipiente de vidro transparente cheio de água, geralmente sobre a relva, debaixo de uma árvore ou num peitoril. No interior do recipiente, deita-se uma clara de ovo. Durante a noite ocorre um fenómeno surpreendente: a clara solidifica e, moldada pela água, assume uma forma que recorda as velas e o cordame de um navio. Trata-se de um efeito temporário, destinado a desaparecer ao longo do dia.

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A ligação a São Pedro é evidente: sendo ele pescador, é considerado na cultura e na devoção popular como uma espécie de barqueiro de almas. Segundo a lenda, nesta noite a ele dedicada, sopra sobre os recipientes, criando estas formas fantásticas para manifestar a sua proximidade àqueles que lhe são devotos.

Provavelmente, este ritual tem origem em antigas práticas camponesas, que utilizavam este curioso “termómetro” para prever as condições meteorológicas e, com elas, o curso das colheitas. Com o passar do tempo, e como sucede com muitas tradições rurais, à simples observação do clima vieram juntar-se a esperança de prever a boa fortuna e a invocação da proteção divina sobre a família e a terra.

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A Barca de São Pedro constitui, assim, uma tradição fascinante que conjuga elementos de fé religiosa e saberes populares. O seu significado e as suas variantes podem diferir de região para região, mas, em toda a parte, esta prática secular continua a encantar e a ligar as comunidades às suas raízes culturais.

A lenda da Barca de São Pedro

A explicação científica do fenómeno é bastante simples: a amplitude térmica entre o dia e a noite, particularmente acentuada no período estival, a humidade noturna e o orvalho fresco da manhã provocam a coagulação da clara. O calor que emana do solo faz com que esta se eleve e se expanda, adquirindo a forma característica das velas brancas de um navio.

Quanto à lenda associada à Barca de São Pedro, também chamada barca de São Pedro e São Paulo, dado que ambos os apóstolos são celebrados em conjunto, começou a difundir-se no Norte de Itália já no século VIII, graças aos monges beneditinos, promotores do culto de São Pedro Apóstolo. À semelhança da festa de São João Batista, a 24 de junho, a celebração religiosa sobrepôs-se e, em certa medida, fundiu-se com tradições camponesas ligadas ao ciclo das estações, ao andamento das colheitas e aos fenómenos atmosféricos.

Aliás, também São João tem a sua barca. Não por acaso, por volta de 29 de junho eram frequentes tempestades violentas. Estas foram igualmente associadas, pelos fiéis, ao Santo Apóstolo, homem de vida atribulada e de carácter indomável, ou à figura da sua mãe, tida como mulher malvada e, por isso, condenada ao inferno.

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Em todo o caso, seria imprudente que os pescadores se aventurassem ao largo nos dias próximos da festa dos Santos Pedro e Paulo, mesmo em lagos e rios. Segundo as lendas, a mãe de São Pedro saía do inferno nesses dias e exigia vítimas sacrificiais para aplacar a sua ira. Noutras regiões, porém, era considerada uma figura benevolente, que favorecia aqueles que demonstravam amor e devoção ao seu filho, assegurando colheitas abundantes e ajudando as mulheres a serem fecundas, bem como os animais a manterem-se saudáveis e férteis.

A Barca de São Pedro, com os seus elementos lendários e a sua origem popular, permanece ainda hoje uma tradição que une a devoção cristã à sabedoria camponesa, num contexto em que as estações e o clima desempenham um papel determinante na vida das pessoas e das comunidades agrícolas.

Como se faz a Barca de São Pedro

Na noite de 28 de junho, deve encher-se um garrafão, uma jarra ou um recipiente de vidro transparente com água fria. Em seguida, com cuidado, verte-se no interior a clara de um ovo, evitando que se desfaça. O recipiente deve ser colocado ao ar livre durante toda a noite, num peitoril ou, de preferência, diretamente no solo, no jardim. Convém manuseá-lo com cuidado, evitando choques ou movimentos bruscos. Na manhã seguinte, 29 de junho, dia de São Pedro e São Paulo, a Barca de São Pedro terá surgido, como que por encanto, no interior do recipiente.

Como interpretar a Barca de São Pedro

Uma vez formada, se as suas velas se abrirem, tal significa que o bom tempo chegará em breve, trazendo dias de sol, felicidade e prosperidade. Se, pelo contrário, as velas se fecharem, a chuva estará para vir. “Se chove no dia de São Pedro, chove durante um ano inteiro”, diz um antigo provérbio camponês. Em certas regiões, porém, a abertura das velas é também interpretada como sinal da chegada de uma proposta de casamento ou do nascimento de uma criança na família.

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31 de maio: festa da Visitação da Bem-Aventurada Virgem Maria

31 de maio: festa da Visitação da Bem-Aventurada Virgem Maria

A Festa da Visitação da Bem-Aventurada Virgem Maria recorda um momento fundamental na história da Salvação. No encontro entre Maria e a sua prima Isabel tem início a difusão da mensagem de Deus que Se faz homem.

No dia 31 de maio, a concluir um dos meses marianos por excelência, celebra-se a Visitação da Bem-Aventurada Virgem Maria. Esta celebração, que figura entre as principais festas marianas dedicadas anualmente à Virgem, evoca a visita desta à sua prima Isabel. Maria havia recebido há pouco a visita do Arcanjo Gabriel, que lhe anunciara a sua maternidade, episódio que conhecemos igualmente como a festa da Anunciação do Senhor, celebrada a 25 de março. Isabel, ao encontrar-se com a prima que lhe revelara aquele acontecimento miraculoso, saudou-a como Mãe do Senhor e o menino que trazia no ventre, que viria a ser João Batista, Precursor de Cristo, exultou de alegria.

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A festa da Visitação é também designada Festa do Magnificat, a partir do cântico presente no Evangelho de Lucas, onde se narra o episódio e Maria dá graças a Deus por a ter escolhido e por libertar Israel da escravidão. Eis o seu início:

A minha alma glorifica o Senhor
e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador,
porque olhou para a humildade da sua serva.
De hoje em diante, todas as gerações me chamarão bem-aventurada
. (Lucas 1,46-48)

O encontro entre Maria e Isabel presta-se a múltiplas interpretações e representa, em muitos aspetos, um momento de transição entre o passado, marcado pela espera do Messias, representado por Isabel, e a consciência de que um tempo novo chegou e que, em breve, o plano de Deus se cumprirá.

Isabel e Maria

É o evangelista Lucas quem nos relata a viagem de Maria à casa da sua prima (Lucas 1,39-55). Maria recebera a visita do Anjo, que não só lhe anunciara a sua maternidade, mas também a de Isabel, esposa de Zacarias, sacerdote do Templo de Jerusalém e pertencente à tribo de Levi, já idosa e considerada estéril por todos. Assim, a jovem partiu apressadamente de Nazaré, na Galileia, possivelmente integrada numa caravana de peregrinos com destino a Jerusalém, para prestar auxílio à sua parente. Maria corre, ansiosa por ser útil, mas também desejosa de partilhar com aquela mulher o anúncio que lhe fora feito. Nesta pressa reconhecemos, portanto, o sentido de misericórdia de Maria, mas também o seu assombro, o facto de estar imersa no mistério de que foi tornada protagonista e, ao mesmo tempo, o desejo de se confrontar com outra mulher igualmente envolvida no plano de Deus, através de uma gravidez tardia, verdadeiramente miraculosa.

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Isabel vivia na Judeia, numa localidade chamada Ein Karem, a poucos quilómetros a ocidente de Jerusalém. Maria partiu, portanto, e permaneceu junto da prima três meses antes do nascimento de João. Ao vê-la, Isabel ficou cheia do Espírito Santo e louvou-a por fazer parte do desígnio de Deus, saudando-a nestes termos:

Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! 43  E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor? 44 Pois, logo que a voz da tua saudação chegou aos meus ouvidos, o menino exultou de alegria no meu ventre. 45 Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento das palavras do Senhor.”

Duas mães singulares, frente a frente, duas anunciações que se tocam num encontro aparentemente comum entre duas parentes. Todavia, Maria traz no seu ventre o Filho de Deus, Salvador do mundo, e Isabel o seu Precursor, aquele que O batizará e dará início à Sua missão na Terra. Trata-se de um encontro marcado pela alegria, mas também impregnado de uma solene grandeza. É o ponto sem retorno, o início de um Mundo Novo, e as duas mulheres protagonistas apenas o podem intuir e pressentir, sem conhecer plenamente o destino que aguarda os dois meninos que são chamadas a gerar e que mudarão para sempre a história da humanidade.

Quando se celebra a festa da Visitação da Bem-Aventurada Virgem Maria?

A festa foi instituída em 1389 pelo Papa Urbano VI, embora já fosse celebrada pelos frades franciscanos desde 1263. Urbano VI e, posteriormente, Eugénio IV fizeram da festa da Visitação um tema de debate contra aqueles que apoiavam o antipapa, no contexto do Grande Cisma. Com o Sínodo de Basileia, em 1441, a festa foi confirmada.

Os franciscanos celebravam a Visitação de Maria a 2 de julho, mas, após o Concílio Vaticano II, a festa foi transferida para 31 de maio, encerrando as celebrações do mês mariano. A festa da Realeza de Maria Santíssima, que reconhece e consagra a dignidade régia da Virgem, foi, por sua vez, deslocada de 31 de maio para 22 de agosto, oitava da Assunção.

Visitação da Bem-Aventurada Virgem Maria oração

Por ocasião da Visitação da Bem-Aventurada Virgem Maria, recita-se uma oração composta pelo bem-aventurado Charles Eugène de Foucauld, religioso francês que viveu entre o final do século XIX e o início do século XX, recentemente canonizado pela igreja. Para ele, na Visitação de Maria a Isabel estava contida uma forte mensagem de vocação missionária, um convite dirigido a cada batizado a levar Jesus aos outros, tal como Maria O levou a Isabel, juntamente com o extraordinário anúncio do Anjo.

Maria, Mãe solícita na Visitação,
ensina-nos a escutar a Palavra,
uma escuta que nos faz estremecer e que, com prontidão,
nos conduz a todas as situações de pobreza
onde é necessária a presença do teu Filho.

Ensina-nos a levar Jesus,
silenciosa e humildemente, como Tu o fizeste!

Que as nossas fraternidades (famílias) estejam no meio
daqueles que não O conhecem
para difundir o Seu Evangelho,
dando testemunho não com palavras, mas com a vida;
não O anunciando, mas vivendo-O!

Ensina-nos a caminhar com simplicidade,
como Tu o fizeste,
com o olhar sempre fixo em Jesus
presente no teu ventre:
contemplando-O, adorando-O e imitando-O.

Maria, mulher do Magnificat,
ensina-nos a ser fiéis à nossa missão:
levar Jesus às pessoas!

Ó Mãe dileta, é a tua própria missão,
a primeira que Jesus te confiou
e que Te dignaste partilhar connosco.

Socorre-nos e intercede por nós, para que façamos
o que fizeste na casa de Zacarias:
glorificar Deus e santificar as pessoas em Jesus,
por Ele, com Ele e n’Ele. Ámen.

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Santo Efísio e a festa mais famosa da Sardenha

Santo Efísio e a festa mais famosa da Sardenha

Santo Efísio Mártir salvou a cidade de Cagliari da peste e, desde então, é recordado no dia 1 de maio com uma procissão solene, entre as mais antigas e longas da Europa.

No dia 1 de maio, Cagliari e toda a Sardenha celebram Santo Efísio Mártir. A imagem é retirada da igreja no bairro de Stampace e levada em procissão pelas ruas da cidade até Pula, pequeno município da cidade metropolitana de Cagliari, e depois até à praia de Nora, o próximo sítio arqueológico que remonta ao período fenício e romano, onde se ergue uma pequena igreja românica, precisamente no lugar onde Efísio terá sido decapitado.

Na igreja de Stampace estão guardadas três imagens de Santo Efísio. A mais recente, exposta no museu arqueológico, foi encomendada no século XVIII ao artista Giuseppe Antonio Lonis e é utilizada na Quinta-feira Santa, quando é conduzida no tradicional percurso das sete igrejas, na Segunda-feira de Páscoa, e na procissão de 15 de janeiro.

A imagem mais antiga é a de Santo Efís Sballiau (Santo Efísio errado), que remonta ao século XVI. A designação “errado” deriva do facto de o Santo ser representado com os estigmas na mão esquerda e a palma do martírio na direita, de forma trocada ou invertida.

Por fim, existe a imagem do 1.º de maio, utilizada na festa de Santo Efísio em Pula, e que é levada em procissão de Cagliari a Nora e regresso entre 1 e 4 de maio, evocando as etapas do martírio, desde o local de prisão até ao da morte, a praia de Nora. Parte-se de Cagliari, seguindo em direção a Pula e passando por Capoterra, Sarroch e Villa San Pietro, chegando depois a Nora, onde a imagem permanece dois dias em celebrações. Esta imagem data do século XVII e representa Santo Efísio numa versão de inspiração espanhola, com barbicha, bigode e trajes de nobre.

O Santo é também muito venerado em Pisa, onde é celebrado a 13 de novembro. Apenas em 2011 Cagliari conseguiu obter as relíquias de Santo Efísio, que antes se encontravam em Pisa, onde eram expostas por ocasião do Domingo in Albis.

festa de Santo Efísio

Quando se celebra Santo Efísio

A Igreja estabeleceu a sua memória litúrgica a 15 de janeiro, mas é no 1 de maio que ocorre a grande festa, chamada festa de sant’Efis su martiri gloriosu, em memória do milagre com o qual o Santo libertou Cagliari da peste em 1656. Foi nessa ocasião que os conselheiros de Cagliari pronunciaram o Voto perpétuo, que desde então liga a cidade a Santo Efísio, com a promessa de o celebrar todos os anos.

Também durante a Páscoa, na Quinta-feira Santa, a imagem do Santo é retirada do seu local habitual, na igreja de Stampace, e levada em procissão pelas sete igrejas históricas da cidade, enquanto na Segunda-feira de Páscoa é conduzida à catedral, para recordar outro milagre e outro Voto, pronunciado em 1793, quando o Santo preservou a cidade dos bombardeamentos do exército revolucionário francês.

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É a Arciconfraria do Gonfalão e de Santo Efísio Mártir que se ocupa das celebrações em honra do Santo. Por ocasião da grande festa de 1 de maio, grupos de figurantes em traje tradicional provenientes de toda a Sardenha chegam a Cagliari. A procissão que se realiza a partir de 1 de maio é uma das mais antigas e longas da Europa, percorrendo cerca de 65 km a pé em quatro dias.

Todos os anos, em preparação para a festa, a Arciconfraria elege um Terceiro Guardião, que deve planear todos os aspetos da celebração, juntamente com um representante do município chamado Alter Nos. A 25 de abril, um coche dourado puxado por dois bois é conduzido à igreja e benzido. No dia 29, a imagem de Santo Efísio é revestida e ornamentada com joias de ouro e ex votos. Na manhã de 1 de maio, também os bois são enfeitados com coroas de flores e o Terceiro Guardião e o Alter Nos dão início à celebração, participando na missa na igreja de Stampace.

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A procissão envolve mais de 3000 pessoas em trajes tradicionais, mais de duzentos cavaleiros, os Campidaneses, os Milicianos e a Guarda. Festa religiosa e folclore unem-se na celebração de Santo Efísio, entre cânticos, cores e expressões de grande beleza que atraem milhares de fiéis e visitantes. Avança-se sobre um tapete de flores rosas, vermelhas e amarelas, segundo o ritual de sa ramadura, e o ar enche-se de aromas e dos comoventes cânticos religiosos das quatro formações de cuncordu. Carros decorados com flores e fruta, os traccas, acompanham o coche que transporta a imagem do Santo.

A Festa de Santo Efísio já alcançou a sua 366.ª edição e está destinada a integrar o Património Imaterial da Humanidade da UNESCO.

Porque é que Santo Efísio é tão importante para Cagliari

Efísio era originário de Antioquia, na Ásia Menor, onde nasceu por volta do ano 250 d.C., de mãe pagã e pai cristão. Cresceu adorando os deuses orientais, juntou-se ao exército imperial e, sob Diocleciano, perseguiu duramente os cristãos. Chegado a Itália com o exército, uma noite apareceu-lhe em sonho uma Cruz resplandecente entre as nuvens, e uma voz do Céu condenou-o pela sua violência contra os cristãos. Efísio compreendeu que fora Jesus quem lhe falara e converteu-se imediatamente, abandonou o exército e começou a pregar o Evangelho. Foram as suas pregações que o conduziram à Sardenha, e daí escreveu ao próprio imperador, exortando-o a converter-se também. Diocleciano mandou prendê-lo e condenou-o à morte. Contudo, por mais que o torturassem, as suas feridas cicatrizavam sempre, e este milagre atraiu cada vez mais simpatizantes e seguidores. Foi decapitado em Nora a 15 de janeiro de 303 d.C., invocando a proteção de Deus sobre toda a ilha.

Os habitantes de Cagliari atribuem a Santo Efísio muitos milagres. O mais importante está ligado à vaga de peste que atingiu a cidade na primavera de 1656. A doença, chegada à Sardenha a partir da Catalunha através de um navio, causou inúmeras vítimas, dez mil apenas em Cagliari, começando pelo arcebispo da cidade. Santo Efísio apareceu ao vice-rei da ilha, pedindo-lhe que pronunciasse um Voto perpétuo. Em troca, Ele salvaria a cidade. A peste desapareceu com as chuvas de setembro e, a partir do ano seguinte, de forma ininterrupta, Cagliari manteve o seu voto, oferecendo ao Santo a procissão do 1.º de maio.

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Ascensão do Senhor: o significado da festa

Ascensão do Senhor: o significado da festa

A Ascensão do Senhor representa o momento em que Jesus se separa da Terra e dos seus discípulos, deixando a Sua forma humana para subir ao Céu. Eis por que motivo esta celebração é tão importante

Quarenta dias depois da Páscoa, a Igreja Católica celebra a Ascensão de Jesus ao Céu, que recorda precisamente a subida de Cristo ao Céu e o fim do Seu tempo na Terra. Trata-se de uma das festas de preceito da Igreja Católica, isto é, um dos dias em que, segundo o Direito Canónico, “os fiéis têm obrigação de participar na Missa; abstenham-se igualmente daqueles trabalhos e ocupações que impeçam o culto devido a Deus e perturbem a alegria própria do dia do Senhor ou o necessário descanso da mente e do corpo.” (Código de Direito Canónico, cân. 1247)

Esta festa, que é também a penúltima do Tempo Pascal, sendo a última o Pentecostes, celebrado cinquenta dias depois da Páscoa, chama-se propriamente Ascensão do Senhor, Ascensio Domini nostri Iesu Christi. Embora a Ascensão esteja liturgicamente situada na quinta-feira após o quinto domingo da Páscoa, a Igreja Católica permite que a celebração seja transferida para o domingo seguinte, até porque, em Itália, foi também feriado civil até 1977.

Ao longo da sua longa história litúrgica, à solenidade da Ascensão de Cristo e ao seu profundo significado religioso juntaram-se diversas tradições devocionais populares. A Ascensão é recordada na Via Lucis, rito litúrgico-devocional católico que evoca e celebra os acontecimentos da vida de Cristo e da Igreja nascente desde a Ressurreição de Jesus até ao Pentecostes, constituindo a Ascensão a sua décima segunda estação. Surge também nos mistérios gloriosos do Santo Rosário.

A liturgia da solenidade da Ascensão do Senhor abre com o intróito Viri Galilaei, que reaparece repetidamente ao longo da celebração. A composição encontra-se no sétimo modo, o tetrardus authenticus. O canto gregoriano baseia-se em oito tonalidades, ou modos eclesiásticos, e este modo é definido como angélico, sendo utilizado para exprimir elevação e explosões de alegria.

“Viri Galilæi,
quid admirámini aspiciéntes in cælum?
Quemádmodum vidístis eum
ascendéntem in cælum, ita véniet,
alléluia.”

“Homens da Galileia,
porque estais a olhar para o céu?
Assim como O vistes subir ao céu,
assim o Senhor voltará.
Aleluia.”

(Act 1,11)

Também a Igreja Ortodoxa celebra a Ascensão, considerando-a uma das doze grandes festas do calendário litúrgico, enquanto, para a Igreja Luterana, constitui igualmente uma das principais festividades do calendário litúrgico.

O que significa a Ascensão do Senhor?

A Ascensão representa um momento fundamental para a religião cristã e, de modo particular, para a figura de Jesus Cristo. É o momento em que Ele deixa de ser Jesus Homem, pregador, autor de milagres, amigo dos Apóstolos e companheiro do seu quotidiano. No instante em que ressuscita e sobe ao Céu, para ocupar o lugar que Lhe pertence à direita do Pai, continua a permanecer próximo dos seus discípulos e de todos os homens, mas de um modo inteiramente novo. Jesus já não está na Terra, já não participa diretamente nas vicissitudes humanas, mas regressará no fim dos tempos para o Juízo Final, na Sua Segunda Vinda, a Parusia.

Com a Ascensão cessam também as aparições de Jesus que se seguiram à Ressurreição. Ao mesmo tempo, proclama-se o sentido último da própria Ressurreição, que não diz respeito apenas à carne: todos aqueles que forem salvos, no fim dos tempos, subirão igualmente ao Céu.

As origens da festa da Ascensão

As origens desta festa são antigas. O acontecimento é narrado nos Evangelhos de Marcos e Lucas, bem como nos Atos dos Apóstolos.

“O Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi elevado ao céu e sentou-Se à direita de Deus. Eles partiram então a pregar por toda a parte, enquanto o Senhor cooperava com eles e confirmava a Palavra com os sinais que a acompanhavam.” (Marcos 16,19-20)

“Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Assim está escrito: o Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia, e em seu nome serão anunciados a todos os povos a conversão e o perdão dos pecados, começando por Jerusalém. Vós sois testemunhas destas coisas. E Eu enviarei sobre vós Aquele que o meu Pai prometeu; mas permanecei na cidade até que sejais revestidos do poder do alto». Depois conduziu-os até junto de Betânia e, levantando as mãos, abençoou-os. Enquanto os abençoava, separou-Se deles e foi elevado ao Céu. Eles prostraram-se diante d’Ele e regressaram a Jerusalém com grande alegria, permanecendo continuamente no templo a louvar a Deus.” (Lucas 24,46-53)

6 “Então os que estavam reunidos perguntaram-Lhe: «Senhor, é agora que vais restaurar o reino de Israel?». 7 Ele respondeu: «Não vos compete conhecer os tempos ou os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade. , 8 Mas recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra». 9 Dito isto, elevou-Se à vista deles, e uma nuvem ocultou-O aos seus olhos. 10 Enquanto permaneciam a olhar para o céu, vendo-O afastar-Se, apresentaram-se diante deles dois homens vestidos de branco, que disseram: 11 «Homens da Galileia, porque estais a olhar para o céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado ao céu, virá do mesmo modo como O vistes partir para o céu».” (Atos 1,6-11)

Santo Agostinho falava da Ascensio Domini in coelum como de uma prática instituída pelos próprios Apóstolos ou pouco tempo depois. No seu tempo, a celebração já se encontrava difundida “Toto terrarum orbe”, isto é, por todo o mundo conhecido.

É provável que, em tempos antigos, esta festa coincidisse com o Pentecostes e que ambos os acontecimentos fossem comemorados conjuntamente.

O primeiro testemunho da celebração da Ascensão em Roma, quarenta dias após a Páscoa, remonta ao pontificado do Papa Leão Magno (440–461).

Mais tarde, foi o Papa Pio V, em 1566, quem determinou que nesta ocasião fosse retirado o círio pascal aceso no início da solene Vigília Pascal. Antigamente, esse círio era apagado no Domingo in albis, isto é, o domingo que encerra a Oitava da Páscoa. Atualmente, porém, o círio pascal permanece aceso junto do ambão até ao Pentecostes.

A diferença entre Ascensão e Pentecostes

Ascensão e Pentecostes assinalam, portanto, o término do Tempo Pascal, tanto do ponto de vista cronológico como do ponto de vista simbólico. Para os discípulos de Jesus, estes acontecimentos constituem um percurso continuum de preparação. A partir da Ascensão, começam a preparar-se para a missão que Cristo lhes confiará por meio do Espírito Santo no Pentecostes.

Como vimos, a Ascensão é celebrada universalmente desde o século IV, quarenta dias depois da Páscoa.

O Pentecostes, por sua vez, celebra a descida do Espírito Santo, terceira Pessoa da Santíssima Trindade, ocorrida após a Ressurreição de Jesus e que, de certo modo, representa o próprio nascimento da Igreja. Inicialmente era uma festa solene apenas no Oriente, dedicada ao Espírito Santo, e abrangia o período de cinquenta dias após a Páscoa. Durava oito dias, durante os quais era administrado o Batismo. Só entre os séculos VIII e IX começou também a ser celebrada no Ocidente. Até 1969, o Pentecostes continuou a ser celebrado durante oito dias, embora os dias festivos tenham sido progressivamente reduzidos. A segunda-feira foi eliminada no início do século XX.

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