Autor: Redazione

Santa Filomena: a história da virgem e mártir

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Ave Estrela do Mar: a invocação a Maria Stella Maris

Ave Estrela do Mar: a invocação a Maria Stella Maris

Ave Estrela do Mar é uma invocação comovida a Maria Stella Maris, um dos títulos marianos mais antigos. Como nasce e o que significa esta oração?

Desde sempre, a figura de Maria, mãe de Jesus Cristo, ocupa um lugar central na devoção e veneração dos cristãos. Ao longo dos séculos, os fiéis recorreram a Ela com esperança e confiança, invocando-a como guia e protetora nas diversas circunstâncias da vida. O culto da Virgem acompanhou sempre o de Cristo, já desde o Cristianismo primitivo. Um dos títulos mais antigos e fascinantes atribuídos a Maria é Maria Stella Maris, que a identifica como uma espécie de estrela polar para os cristãos, uma guia e uma esperança para aqueles que se aventuram no mar e, num sentido mais amplo, nos perigosos fluxos da existência. Este título evoca também o conceito de Odigítria, a Senhora do bom caminho, cara à iconografia bizantina e russa medieval, “Aquela que indica o caminho”. Do título mariano Maria Stella Maris nasce a belíssima oração Ave Estrela do Mar.

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Assim como a estrela polar orienta os navegadores nas noites escuras, também Maria Stella Maris é invocada como guia espiritual por aqueles que se aventuram no mar, e não só. Marinheiros, pescadores e viajantes encontraram desde sempre conforto e proteção na devoção a Maria, confiando na sua intercessão para uma navegação segura e um regresso a casa sãos e salvos. A sua presença luminosa na vida de quem se encontra entre as ondas representa uma fonte constante de esperança e confiança. Todavia, este sentido de proteção ligado à Virgem não se limita apenas aos marinheiros e viajantes. Todo o homem que se sinta perdido e só pode voltar-se, com esperança e confiança, para esta mãe luminosa e infinitamente amorosa, pronta a oferecer consolação e orientação rumo a portos mais seguros. Invocar Maria como Stella Maris significa entregar-se à sua intercessão materna, confiando que ela é capaz de guiar e proteger aqueles que nela confiam na sua busca de Cristo e na luta contra as adversidades do mundo.

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Porquê Stella Maris?

O título de Maria Stella Maris constitui uma imagem poderosa e significativa na tradição cristã. A sua origem é fascinante e antiga, ligada ao mar e às estrelas. Com efeito, deriva da estrela da Ursa Menor, desde sempre conhecida como Estrela Polar ou Estrela do Norte. Desde a Antiguidade, esta estrela extremamente luminosa representou o principal ponto de referência para a orientação no mar, o que basta para compreender por que motivo foi associada a Maria, guia e protetora dos homens. Sucede, porém, que a atribuição do epíteto Stella Maris à Virgem nasce de um erro de transcrição cometido por um copista incauto, ao redigir uma cópia do Onomasticon de Eusébio de Cesareia na tradução latina realizada por São Jerónimo. Este último havia definido no texto a Virgem como stilla maris, “gota do mar”, ao traduzir o nome hebraico Miryam. Contudo, o copista escreveu “Stella Maris” em vez de “Stilla Maris”, criando, sem o querer, um novo e sugestivo título mariano.

Nos séculos seguintes, muitos teólogos e homens de fé retomaram a imagem de Maria estrela do mar, identificando-a como uma guia capaz de conduzir, para além de qualquer tempestade, todos os que nela acreditam e confiam. Assim o fez São Pascásio Radberto, no século IX, e, mais tarde, no século XII, São Bernardo de Claraval, que considerou um verdadeiro ato de fé e confiança recorrer e confiar-se a Maria Stella Maris nos momentos sombrios da vida, quando o homem se vê dominado pelas tentações e adversidades.

Ainda assim, mesmo sendo comparada a uma estrela, Maria não perde a sua humildade. Vistas do mar, as estrelas parecem apenas pequenos pontos luminosos no firmamento, independentemente da sua verdadeira grandeza. Maria, a mais luminosa dessas pequenas estrelas, é uma luz suspensa sobre o abismo, palpitante, distante e, contudo, sempre presente, tornando menos sombria até a noite mais escura.

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A oração Ave Estrela do Mar

A associação do nome de Maria à estrela polar, bem como a devoção que dela brotou, deu origem a uma das mais antigas e sugestivas orações marianas: Ave Maris Stella, “Eu te saúdo, estrela do mar”. Remonta aproximadamente ao século VII e constitui um hino de louvor e devoção à Virgem Maria, bem como um convite aos fiéis para que se voltem para Ela como guia luminosa e consoladora nos desafios da vida.

A origem da oração é incerta, sendo atribuída a Venâncio Fortunato, bispo de Poitiers, a Paulo Diácono, ou talvez a Roberto II ou a São Bernardo. Contudo, já se encontrava registada no Codex Sangallensis conservado na Abadia de São Galo.

A oração é, em rigor, um poema composto por sete quadras acentuadas, desprovidas de rima. Durante séculos, integrou o Ofício Divino, o Ofício da Bem-aventurada Virgem Maria e as Vésperas. Na antífona inicial, dirige-se a Maria, evocando a saudação do Arcanjo Gabriel no momento da Anunciação, chamando-a Estrela do mar, Mãe de Deus, sempre Virgem e porta do céu, reconhecendo-a como guia e ponto de referência:

Ave, estrela do mar,
Santa mãe de Deus,
Sempre virgem Maria,
Porta feliz do céu.

As estrofes seguintes contêm súplicas diretas à Virgem Maria, pedindo a sua intercessão materna, para que leve luz àqueles que vivem na escuridão da vida:

Desata os laços dos culpados,
dá luz aos cegos,
afasta os nossos males,
concede-nos todo o bem
.

Pede-se ainda à Virgem que conserve os seus filhos inocentes, puros e humildes de coração:

Virgem santa entre todas,
doce rainha do céu,
torna inocentes os teus filhos,
humildes e puros de coração.

A oração culmina e conclui-se com um hino de louvor à Santíssima Trindade: Deus Pai, o Filho e o Espírito Santo:

Seja louvor a Deus Pai,
glória a Cristo Senhor,
e ao Espírito Santo,
única honra à Santíssima Trindade.

Frequentemente utilizada como texto para o canto gregoriano, a oração Ave Stella Maris foi retomada por numerosos compositores ilustres ao longo dos séculos e musicada como hino sagrado. A Acádia, pequena região da América do Norte na costa do oceano Atlântico, adotou uma versão modificada como hino nacional.

 

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Discernimento espiritual: o que é e como se pratica

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O discernimento espiritual é um dom de Deus que nos ajuda no conhecimento de nós mesmos e da vida, e o Espírito Santo é o nosso guia

O termo discernimento possui um significado muito amplo e, também no âmbito da espiritualidade cristã católica, pode assumir diferentes sentidos consoante o contexto. Em geral, falamos de discernimento espiritual para designar esse precioso processo de conhecimento que nos permite orientar-nos no caminho da existência, avaliar a realidade que nos rodeia e os acontecimentos à luz da fé. Trata-se de um dom que nos é concedido pelo próprio Deus, por meio do Espírito Santo, e que nos torna mais conscientes da Sua presença na nossa vida, mais disponíveis para escutar a Sua voz e descobrir as razões do nosso existir.

Neste sentido, o discernimento torna-se discernimento vocacional, um processo de exploração e descoberta pessoal destinado a compreender a própria vocação, o propósito da vida. No entanto, não devemos pensar que o discernimento vocacional diz respeito apenas aos candidatos ao sacerdócio. Embora frequentemente associado à escolha de uma vocação religiosa, pode aplicar-se a qualquer esfera da vida, como a carreira, o serviço público ou mesmo as relações interpessoais.

Importa sublinhar que o discernimento espiritual não é um processo pontual, mas um caminho contínuo de crescimento espiritual.

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Vocação sacerdotal e discernimento

Como saber se o apelo que se sente na alma é um chamamento que conduz a Deus? É precisamente o discernimento que nos vem em auxílio, esse escutar profundo e íntimo que nos coloca em contacto com a nossa espiritualidade e com o Senhor, ajudando-nos a compreender de que modo podemos dedicar-Lhe a nossa vida, quer continuando a viver entre os homens e contribuindo para tornar o mundo melhor, quer abraçando a vocação sacerdotal e tornando-nos instrumentos da Sua vontade.

O percurso do discernimento vocacional é uma viagem fascinante que começa com o surgir de pensamentos que nos levam a explorar o sentido mais profundo da nossa vida. Se forem guiados pelo Senhor, conduzir-nos-ão à descoberta da nossa verdadeira vocação. Este caminho exige paciência e atenção, desenvolvendo-se em várias etapas que correspondem a progressivos níveis de consciência. Entretanto, é importante permanecer aberto e disponível ao que a vida oferece, sabendo que alguns pensamentos são apenas passageiros e desaparecerão com o tempo. A procura da própria vocação exige tempo, mas acabará por nos conduzir a novos horizontes e a uma profunda realização pessoal.

No caminho da vocação sacerdotal, o discernimento vocacional assume um papel fundamental. A formação espiritual e intelectual, a participação na missa, a frequência dos sacramentos, bem como o estudo da teologia, da filosofia e de outras disciplinas pertinentes, são apenas alguns dos aspetos a considerar no percurso rumo ao sacerdócio. É igualmente essencial o acompanhamento espiritual por parte de um guia, um diretor espiritual ou de um sacerdote, um mentor experiente que possa oferecer aconselhamento, orientação e apoio ao longo do caminho de discernimento, ajudando o candidato a refletir sobre as suas experiências, a discernir os sinais de Deus na sua vida e a avaliar a sua idoneidade para o sacerdócio.

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Outro aspeto importante do discernimento vocacional é a experiência pastoral no seio da comunidade de fé. Os candidatos ao sacerdócio são encorajados a participar ativamente na vida da paróquia, a assumir responsabilidades pastorais e a colocar-se ao serviço dos outros. Tal oferece-lhes a oportunidade de testar as suas inclinações e de desenvolver as competências necessárias para o ministério sacerdotal.

Só após estas experiências e um adequado período de discernimento aprofundado, o candidato que tenha sentido de forma clara e constante o chamamento de Deus ao sacerdócio toma a decisão de entrar no seminário. Durante o tempo de formação, o discernimento prossegue com o acompanhamento do reitor e dos restantes formadores.

O Espírito Santo e o dom do discernimento

O Espírito Santo é considerado o principal protagonista do discernimento na tradição cristã. Ele é o dom de Deus à Igreja e atua na vida dos crentes para os guiar na compreensão da vontade divina e na tomada de decisões sábias e justas. O discernimento não é apenas um processo intelectual ou racional, mas envolve a pessoa inteira numa dinâmica espiritual, exigindo abertura do coração e disponibilidade para escutar a voz de Deus através do Espírito Santo. É Ele quem ilumina a mente, abre os olhos do coração e concede uma profunda intuição espiritual. Na Bíblia, o Espírito Santo é apresentado como Consolador, Conselheiro e Mestre, que assiste os fiéis na compreensão da verdade e na tomada de decisões corretas. Pela sua presença, os crentes podem discernir entre o bem e o mal, entre a vontade de Deus e os caminhos do mundo.

O discernimento está estreitamente ligado aos dons do Espírito Santo, isto é, às qualidades e capacidades espirituais, às “disposições permanentes que tornam o homem dócil a seguir as moções do Espírito Santo”, para agir no bem. Entre os dons particularmente relevantes neste contexto, destacam-se o dom da sabedoria, que permite avaliar as situações com um olhar espiritual, segundo a perspetiva de Deus; o dom da ciência, que ajuda a compreender profundamente a verdade revelada e a discernir a vontade divina; e o dom do conselho, que ilumina a inteligência nas escolhas morais.

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Existe ainda o discernimento dos espíritos, outro dom do Espírito Santo que permite reconhecer e distinguir as diversas influências espirituais presentes nas situações e nas pessoas, ajudando a diferenciar o que provém de Deus, o que é humano e o que tem origem maligna.

Segundo a doutrina católica, o discernimento é um processo que envolve todos os fiéis, mas os bispos desempenham um papel particular enquanto guardiães e guias da comunidade eclesial. Considerados sucessores dos Apóstolos, receberam a autoridade e a graça para governar, ensinar e santificar o povo de Deus.

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Em virtude da sua consagração episcopal e da sua comunhão com o Papa, os bispos são os principais responsáveis pelo discernimento da vontade de Deus para a Igreja e para os fiéis. Compete-lhes ensinar a doutrina e a moral católicas, administrar os sacramentos e conduzir a comunidade no crescimento espiritual. Em síntese, são guardiães investidos pelo Espírito Santo da missão e da capacidade de guiar o rebanho, graças ao discernimento espiritual e pastoral indispensável para alcançar o conhecimento e a realização da vontade de Deus, na qual reside toda a plenitude.

O discernimento vocacional nasce no coração e na mente do bispo, através da sua profunda vida de oração, que marca a sua relação íntima com Deus e o torna firme nas suas decisões e atitudes, tanto a nível pessoal como eclesial. No silêncio da oração, o Bispo aprende a reconhecer a voz de Deus, acedendo a uma verdade superior, inspirada pelo Espírito Santo.

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São Tiago Apóstolo, a história do santo do famoso Caminho

São Tiago Apóstolo, a história do santo do famoso Caminho

São Tiago Apóstolo foi um dos discípulos mais próximos de Jesus. Primeiro entre os Apóstolos a sofrer o martírio, guia ainda hoje milhares de peregrinos ao longo do Caminho que leva o seu nome

Irmão do Apóstolo João, e, com ele, o primeiro a seguir Jesus, São Tiago Apóstolo (ou Santiago Maior) foi também o primeiro entre os apóstolos a morrer mártir, durante a perseguição desencadeada por Herodes Agripa I. Jesus chamava-lhe, juntamente com o seu irmão, “filhos do trovão”, devido ao seu carácter impetuoso, ou talvez porque invocaram a destruição de uma aldeia que negara hospitalidade a Jesus e aos seus, através de um “fogo que descia do céu” (Lucas 9, 51-56). O que sabemos com certeza é que São Tiago foi um dos Apóstolos mais próximos de Jesus, estando com Ele em alguns dos momentos fundamentais da sua vida terrena: a Transfiguração, a ressurreição da filha de Jairo e a última noite no Getsémani.

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Hoje recordamo-lo também pelo Caminho de peregrinação que leva o seu nome, percorrido ao longo dos séculos por peregrinos e que ainda hoje conduz milhares de visitantes de todo o mundo até ao lugar onde se ergue o seu túmulo. Referimo-nos ao Caminho de Santiago de Compostela, itinerário cultural europeu cujo ponto de chegada é um dos locais de peregrinação mais visitados de sempre.

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A tradição conta que, após a morte de Jesus, São Tiago começou a anunciar a Sua Palavra aos homens, e que a sua missão evangelizadora o levou até à Península Ibérica, muito longe de onde ele e os seus companheiros tinham começado. Regressado a Jerusalém, foi preso e morto por ordem do rei Herodes, sobrinho daquele Herodes Filipe, tetrarca que mandara decapitar João Batista, seu antigo mestre e guia espiritual. Teria sido uma barca guiada por um anjo a transportar o corpo decapitado de São Tiago Apóstolo da Judeia até às costas da Galiza. Aí os seus restos foram sepultados, no local onde hoje se ergue a catedral de Santiago de Compostela.

São Tiago Maior: a história

Importa notar que no Novo Testamento são mencionados vários Tiagos. Para além de Tiago, filho de Zebedeu, existe também Tiago, filho de Alfeu, conhecido como o Menor, e Tiago, o Justo, ou irmão do Senhor.

A história de São Tiago não pode ser dissociada da de seu irmão João, também ele Apóstolo. Tiago e João eram filhos de Zebedeu e de Salomé. Ambos nasceram em Betsaida, uma aldeia da Galileia situada junto ao lago de Genesaré, e, tal como o resto da família, dedicaram-se desde muito jovens à atividade da pesca. Antes de conhecerem Jesus, foram discípulos de João Batista. Foi precisamente o Batista quem indicou Jesus aos dois irmãos, e Tiago e João tornaram-se os primeiros discípulos chamados por Jesus, antes mesmo de Pedro e de seu irmão André. Tiago e João estiveram particularmente próximos de Jesus durante a sua vida pública, como nos dão conta os Evangelhos e os Atos dos Apóstolos. Ambos, mas Tiago em particular, possuíam um temperamento impetuoso e eram ambiciosos. Consideravam que a sua proximidade com Cristo lhes garantiria um lugar privilegiado no Reino que Ele traria à Terra, ao ponto de o pedirem ao próprio Jesus, sem saber que, quando o Mestre lhes prometia partilhar aquilo que Ele alcançaria, falava do martírio. E assim aconteceu.

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De regresso à Palestina após a sua viagem a Espanha, Tiago Apóstolo tornou-se uma figura de grande relevo no seio da comunidade cristã de Jerusalém. Juntamente com os Doze Apóstolos, tornou-se uma das colunas da Igreja Primitiva, desempenhando um papel significativo na difusão da mensagem evangélica na Cidade Santa. Apesar do clima de crescente hostilidade em relação ao nascente cristianismo e da proibição imposta aos apóstolos de pregarem, Tiago não se deixou desencorajar. Continuou a anunciar o Evangelho ao povo, entrando nas sinagogas e debatendo a Palavra dos profetas. A sua notável capacidade de comunicação, a sua dialética persuasiva e a sua personalidade cativante fizeram dele um dos apóstolos mais seguidos na sua missão evangelizadora. Contudo, a sua ardente pregação e o seu papel de destaque no interior da comunidade cristã não passaram despercebidos. Herodes Agripa I, rei da Judeia, desejando apaziguar os protestos das autoridades religiosas e agradar aos judeus, tomou Tiago como alvo, enquanto figura representativa da nova fé cristã. Segundo a tradição, o escriba Josias, encarregado de conduzir Tiago ao suplício, testemunhou um milagre. Enquanto Tiago era levado ao lugar da execução, um paralítico invocou a sua ajuda e foi miraculosamente curado. Este milagre tocou profundamente Josias, que se arrependeu das suas ações e se converteu ao cristianismo. Como último desejo, Tiago pediu um recipiente cheio de água, com o qual batizou Josias. Ambos foram depois decapitados.

A ligação ao Caminho de Santiago

A história de São Tiago de Compostela tem início após a morte e a ressurreição de Jesus, quando o Apóstolo deixou a Judeia e viajou até à Espanha para difundir o Evangelho. Foi precisamente em Espanha que o seu corpo, após o martírio, foi trasladado e sepultado num local secreto. Alguns séculos depois, um eremita de nome Pelágio, ao deambular pelo monte Libredón, chegou a um planalto onde cintilavam luzes semelhantes a estrelas. Tratava-se de uma necrópole onde jazia, entre outros, o próprio São Tiago, num sepulcro com a inscrição: “Aqui jaz Jacobus, filho de Zebedeu e de Salomé”. O povo começou a chamar àquele lugar Campus Stellae, “campo da estrela”, de onde deriva Compostela.

Depois de Afonso II das Astúrias, dito o Casto, ter peregrinado a Compostela no ano de 825, muitos outros seguiram o seu exemplo e começaram a dirigir-se ao túmulo de São Tiago. A basílica a ele dedicada começou a ser erguida em 1075, e, a partir desse momento, Compostela tornou-se um local de enorme importância para os peregrinos. Desde a Idade Média, o santuário de São Tiago de Compostela foi uma das metas mais desejadas pelos peregrinos provenientes de toda a Europa.

Um dos símbolos do Caminho de Santiago é a concha de São Tiago. Trata-se da concha de vieira. Na época medieval, os peregrinos que percorriam o Caminho deviam levar consigo, como prova, uma concha recolhida nas praias de Finisterra, considerada pelos romanos o fim do mundo, finis terrae. Uma tradição relata que os discípulos de São Tiago, após terem perdido os restos do mestre num naufrágio, os encontraram nessa praia cobertos de conchas.

Ainda hoje, o Caminho de Santiago, com as suas diversas rotas que convergem para a cidade espanhola, é considerado um itinerário espiritual de grande relevância, que homens e mulheres percorrem por motivos religiosos, como ato de fé, para alcançar perdão e redenção, ou simplesmente para viver uma experiência de crescimento pessoal e de encontro consigo mesmos e com os outros.

O Caminho de São Tiago na Sicília

O culto de São Tiago na Sicília, com as suas numerosas igrejas, hospitalia e vias francígenas, constitui um testemunho da importante ligação entre a ilha e a peregrinação a Santiago de Compostela, sublinhando a influência e a relevância de São Tiago como protetor dos peregrinos e figura de devoção na tradição siciliana. O culto de São Tiago na Sicília difundiu-se de forma significativa após a conquista normanda no século XII. Numerosas igrejas dedicadas ao santo foram edificadas em vários centros da ilha, sinal de uma fervorosa devoção popular. A 25 de julho de 1090, Rogério, o Grande Conde, após ter libertado a cidade dos sarracenos, teve um sonho no qual São Tiago lhe apareceu como “Matamouros”, empunhando a espada-cruz que posteriormente tomou o nome de “de São Tiago”. Na sequência deste acontecimento, foi construída uma igreja em Caltagirone e São Tiago tornou-se o padroeiro da cidade. A partir desta igreja irradiaram sete igrejas, símbolo de outros tantos raios de luz. Outras localidades na Sicília, como Palermo, Caccamo, Enna, Piazza Armerina, Siracusa, Ferla, Ragusa, Gela, Caltagirone, Vizzini, Mineo e Augusta, possuem igrejas dedicadas a São Tiago datadas do início do século XIV. Muitas destas igrejas estavam dotadas de estruturas de acolhimento denominadas “hospitalia”, geridas por ordens cavaleirescas como os Templários, os Teutónicos e os Hospitalários. Os “hospitalia” encontravam-se ao longo das principais vias medievais, a uma distância de cerca de 30 quilómetros entre si, permitindo aos peregrinos repousar, alimentar-se e receber cuidados antes de retomar o caminho ao amanhecer.

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Hoje, o Caminho siciliano de São Tiago estende-se entre a cidade de Caltagirone e a pitoresca vila montanhosa de Capizzi, as duas comunidades da ilha com a mais antiga e fervorosa tradição ligada a São Tiago Maior. Estas duas localidades guardam importantes relíquias do santo e constituem etapas significativas ao longo do percurso.

O Caminho tem início junto da antiga Basílica de São Tiago, em Caltagirone, e prossegue até ao santuário de Capizzi, de época normanda, datado do século XIII, que representa o local de culto jacobeu mais antigo de toda a ilha. O percurso, com cerca de 130 quilómetros, atravessa sete municípios intermédios, oferecendo uma extraordinária diversidade de paisagens que se transformam continuamente ao ritmo das estações. A cada curva do caminho, os caminhantes descobrem inúmeras sugestões naturalísticas, históricas, místicas e antropológicas. A Sicília interior revela-se em toda a sua magnificência, acolhendo os peregrinos numa viagem que não só os conduz à descoberta do território, mas também os convida a um percurso interior e a uma busca contemplativa.

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Santo André Apóstolo: a história do santo e a sua ligação à cidade de Amalfi

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Confrarias mais antigas: história e curiosidades

Confrarias mais antigas: história e curiosidades

As confrarias constituíram, durante séculos, um tecido conetivo no nosso país, entre o espírito devocional, a religião e a laicidade. Eis quais são as mais importantes

As confrarias da Igreja Católica são associações públicas de fiéis que se dedicam principalmente ao serviço litúrgico, ao incremento do culto público e ao exercício de obras de caridade, de penitência e de catequese. Outra das ocupações a que as confrarias se dedicam é a promoção de uma maior participação dos fiéis na liturgia e na oração comum. O objetivo principal e distintivo destas associações é, portanto, o serviço litúrgico, que inclui a substituição dos acólitos durante as celebrações eucarísticas, bem como a presidência e a orientação da Liturgia das Horas.

As confrarias podem também estar envolvidas no exercício de obras de penitência, como práticas de jejum, oração e mortificação, com o fim de crescer na vida espiritual.

Por fim, as confrarias desempenham um papel importante na difusão da catequese, promovendo a formação religiosa e espiritual dos fiéis através do ensino da doutrina católica.

Estas associações são regulamentadas pelos cânones 298 e seguintes do Código de Direito Canónico em vigor.

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Antigamente existiam associações comparáveis às confrarias: os Disciplinantes. Estes recebiam o nome da Disciplina, um chicote usado como instrumento de penitência corporal. A sua função era “disciplinarem-se”, ou seja, flagelarem os ombros e as costas como forma de expiação das próprias culpas e como ato de súplica para obter a misericórdia divina.

Durante a época carolíngia, a partir do século VIII, as confrarias conheceram um forte desenvolvimento em França e no resto da Europa. Tratava-se de associações mistas, que envolviam tanto consagrados como leigos. Com frequência, os disciplinantes não eram nem frades nem monges, mas leigos que mantinham a sua vida familiar e profissional. No entanto, observavam uma “regra” e procuravam alcançar a perfeição da vida cristã própria das ordens monásticas e conventuais. Muito antes da formação dos institutos religiosos, praticavam obras de caridade e misericórdia, construindo hospitais, casas de acolhimento, albergues, cemitérios e oratórios, e empenhavam-se no incremento do culto público e da piedade popular, com obras de assistência aos enfermos, hospitalidade aos viandantes, sufrágio dos defuntos, bem como esmolas a órfãos e viúvas e assistência religiosa aos condenados à morte e aos detidos. Frequentemente, os membros destas associações escolhiam também viver em comum, à semelhança de uma ordem religiosa.

Na Idade Média, estas formas de participação dos cidadãos na vida social e religiosa assumiram uma identidade mais definida. No século XIII, difundiram-se por toda a Europa como um verdadeiro tecido conetivo da sociedade, em que a motivação religiosa se unia frequentemente à necessidade de reconhecimento social e de segurança. É possível identificar pelo menos quatro tipologias de confrarias:

  • confrarias de devoção, que reuniam aqueles atraídos pela mesma forma de piedade, por exemplo o culto da Eucaristia ou do rosário;
  • confrarias dos penitentes, como a Companhia dos Disciplinantes ou os Flagelantes;
  • confrarias de ofício, como as chamadas Artes, que uniam os membros de uma mesma profissão em torno do culto do santo padroeiro;
  • confrarias de beneficência, que ofereciam serviços específicos de assistência, como a gestão de hospitais e o cuidado dos defuntos.

Do ponto de vista religioso, as confrarias representavam o esforço dos leigos para encontrar um espaço entre a hierarquia eclesiástica, os monges e o povo dos fiéis. A importância das confrarias continuou a crescer ao longo do tempo, transformando-as rapidamente em centros de poder independentes da autoridade episcopal. Também as ordens religiosas começaram a demonstrar interesse pelo fenómeno e algumas confrarias foram instituídas por frades, como as confrarias do Carmo dos carmelitas, as confrarias do Cinto dos eremitas de Santo Agostinho, e as confrarias do Rosário promovidas pelos dominicanos.

Por volta da metade do século XIII, na Itália central, verificou-se também o surgimento do movimento conhecido como os flagelantes. A este movimento aderiam muitos membros de ordens religiosas e confrarias. O movimento caracterizava-se pela organização de procissões que atravessavam as cidades, durante as quais os penitentes se batiam no corpo até fazer correr sangue. O objetivo destes atos era expiar os pecados da época e preparar a vinda de um novo reino espiritual. Também as confrarias organizavam procissões dedicadas aos santos, à Virgem Maria e a Cristo, e algumas eram muito cruentas, como aquelas em que se evocava a Paixão.

Estas representações transformaram-se ao longo do tempo, dando origem às Sacras Representações medievais, peças teatrais de carácter religioso frequentemente interpretadas pelos próprios membros das confrarias. Sobretudo, estas associações promoviam o culto da Santíssima Eucaristia e organizavam procissões eucarísticas, durante as quais transportavam baldaquinos, tochas, turíbulos, e orientavam os momentos de oração.

 

Durante a Contrarreforma, o papel litúrgico das confrarias aumentou. O Concílio de Trento transformou a cultura penitencial, tornando-a mais espiritual e reduzindo a prática da flagelação. As confrarias, sobretudo as ligures, adotaram novas regras mais precisas e assumiram novas funções, preenchendo o vazio que se tinha criado na devoção popular. Com o tempo, algumas confrarias adotaram um hábito litúrgico específico e foram investidas de privilégios especiais, que confirmavam a sua importância na vida religiosa e social da época. Se no início os confrades vestiam hábitos modestos e capuzes brancos, no século XVI, mesmo com a diminuição da flagelação, verificou-se um enriquecimento das suas vestes. Foram introduzidos tecidos de seda e materiais preciosos, frequentemente bordados a ouro e prata.

As confrarias mais populares no século XVI eram aquelas dedicadas à devoção mariana, sobretudo depois de o Papa Pio V ter atribuído a vitória da Liga Santa contra os turcos na batalha de Lepanto à intercessão de Maria. Com o aumento da veneração mariana, desenvolveram-se cada vez mais confrarias ligadas a esta devoção.

Após a supressão devido aos decretos napoleónicos, e a confiscação de todos os bens dos associados, apenas as confrarias de carácter estritamente religioso conseguiram sobreviver e retomar posteriormente a sua atividade.

Não reconhecidas inicialmente pela legislação italiana como entidades religiosas, conheceram vicissitudes e regulamentações diversas, até que, em 28 de junho de 1934, lhes foi concedida personalidade jurídica, reconhecendo assim a sua existência legal.

Titulos Marianos

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Como funciona uma confraria

As normas eclesiásticas que regulam as confrarias encontram-se no Código de Direito Canónico, no título V intitulado As Associações de fiéis (CIC 298-329). Estas normas estabelecem as disposições gerais que regem a organização e o funcionamento das associações de fiéis, incluindo as confrarias. As confrarias adquirem personalidade jurídica distinta da dos seus membros individuais. Em Itália, a Conferência Episcopal Italiana erigiu a Confederação das Confrarias das Dioceses de Itália, por decreto próprio datado de 14 de abril de 2000. Esta associação reúne a maioria das confrarias italianas e tem como objetivo favorecer a cooperação e a partilha de experiências entre elas.

Cada confraria deve ser dedicada a um santo ou a um mistério da fé, que representa o foco espiritual da confraria e inspira as suas atividades. Deve ainda ser declarado um objetivo específico a prosseguir, que pode estar ligado à oração, à adoração, à assistência caritativa, à promoção da devoção a um aspeto particular da fé, ou a outros objetivos espirituais e pastorais. A confraria pode ter uma sede física, que pode ser uma igreja, um oratório ou um altar dentro de uma igreja paroquial ou de outro local de culto. A sede é o local onde a confraria desenvolve as suas atividades e celebra as suas cerimónias.

A confraria é oficialmente instituída mediante decreto da autoridade eclesiástica competente. Esta autoridade pode ser o Pontífice, a Conferência Episcopal, o Bispo ou o Superior de um instituto religioso.

As questões internas da confraria devem ser reguladas por um estatuto interno aprovado pela autoridade eclesiástica competente, que regula os aspetos organizativos, as normas de participação e os deveres dos membros. Os confrades e consócias usam um hábito litúrgico particular durante as cerimónias e procissões. O hábito pode variar consoante a região, mas possui uma forma e uma cor específicas que identificam a pertença à confraria.

As confrarias são geridas por uma administração interna, chamada conselho ou governo, composta por várias figuras: o Prior, chefe da confraria e responsável pela sua orientação e direção; um ou dois vigários, que o auxiliam; várias figuras com funções específicas no interior da confraria, como o secretário, o tesoureiro, os provedores, o fiscal e outros; conselheiros ou consultores, membros do conselho. Além disso, cada confraria deve ter um Assistente Espiritual, que é um sacerdote ou religioso nomeado pela autoridade eclesiástica competente.

Para entrar numa confraria, é geralmente previsto um ano de noviciado, durante o qual o candidato participa na vida da confraria e o seu comportamento é avaliado pelo conselho. Após a conclusão do ano de noviciado, os novos membros participam numa missa solene, durante a qual juram diante de Deus e de todos os confrades, são abençoados e lhes é entregue a capa consagrada, que poderão usar durante as procissões e celebrações.

Diferença entre confraria e arquiconfraria

Após 1530, começaram a formar-se sobretudo em Roma também as arquiconfrarias, compostas por várias confrarias interligadas. Uma confraria podia agregar-se a uma arquiconfraria enviando uma apresentação oficial dos estatutos e uma carta do bispo que atestasse a sua legitimidade canónica. Foi o Papa Clemente VIII quem impôs este requisito no final do século XVI, para garantir a ordem e a regularidade das associações.

O século XVI foi um período de grande prosperidade para as confrarias italianas, em particular para as arquiconfrarias, também chamadas “confrarias-mãe”. Estas tinham o direito de agregar as companhias locais, que recebiam todas as indulgências e privilégios concedidos à arquiconfraria-mãe de referência.

Confraria do Gonfalone

A história do Gonfalone, confraria romana, tem raízes antigas. Originalmente chamada “Raccomandati de Nossa Senhora Santa Maria”, foi reconhecida pelo Papa Clemente IV em 1267 e tinha sede na basílica de Santa Maria Maior. Em 1351, mudou de nome para “Raccomandati do Gonfalone”. Na segunda metade do século XV, a companhia dos Raccomandati de Nossa Senhora Santa Maria uniu-se a outra confraria já existente na basílica, dando origem à Confraria do Gonfalone.

A Confraria do Gonfalone foi elevada a arquiconfraria em 1579 pelo Papa Gregório XIII. Dois anos depois, o pontífice confiou-lhe a obra piedosa do resgate de pessoas capturadas pelos corsários berberescos na península italiana, para as libertar e devolver às suas famílias. Esta obra de recolha de fundos para o resgate dos prisioneiros tornou-se a principal atividade da confraria durante os séculos XVII e XVIII.

Após a supressão na época napoleónica, o Gonfalone de Roma retomou as suas atividades em 1823, mas, com o tempo, foi-se reduzindo e entrou em estado de inatividade, mantendo viva a memória através do seu esplêndido oratório. Em dezembro de 2010, a arquiconfraria romana retomou a atividade por decreto do Cardeal Vigário, atualizando os antigos estatutos e iniciando com doze confrades fundadores em memória da fundação original.

Confraria do Santíssimo Sacramento

A Arquiconfraria do Santíssimo Sacramento é uma confraria católica dedicada à veneração e preservação do culto eucarístico. As origens desta confraria remontam a um período incerto. Existem indícios da sua fundação já em 1539, mas a fonte não é segura.

Durante a Contrarreforma, a Igreja Católica quis reafirmar a presença real de Cristo na Eucaristia de todas as formas. Muitas confrarias alteraram o seu nome original de “Corpo de Cristo” para “SS. Sacramento”, considerado mais adequado para difundir a doutrina católica sobre a presença eucarística. Assim terá acontecido também, provavelmente, com a confraria do Corpo de Cristo em Vico del Gargano.

Confraria do Santíssimo Crucifixo

Instituída em Alexandria no século XIII, a venerável Confraria do Santíssimo Crucifixo em San Giovannino integra-se nos movimentos penitenciais acima referidos.

Uma Arquiconfraria do Santíssimo Crucifixo foi erigida em 1591 na Catedral de Agrigento. A sua fundação está ligada à devoção a Jesus Crucificado. A designação oficial da confraria era “Santíssimo Crucifixo da Caridade”, para sublinhar também o caráter caritativo das suas iniciativas. Para além da devoção ao Crucificado, a confraria dedicava-se a uma obra especial de caridade em favor dos prisioneiros, dos libertados da prisão e de outras obras de bem.

Com a aprovação e confirmação da Cúria Episcopal, a confraria tornou-se arquiconfraria e, posteriormente, foi afiliada à Arquiconfraria do Santíssimo Crucifixo de San Marcello em Roma.

 

Confraria da Misericórdia

Em geral, as Misericórdias são confrarias e arquiconfrarias de origem católica dedicadas à assistência dos necessitados. Em Itália, existem fontes que fazem remontar a fundação da Misericórdia de Florença, uma das mais antigas, a 1244. Muitas Misericórdias dedicavam-se também ao cuidado dos peregrinos ou à assistência dos condenados à morte.

Atualmente, em Itália, estão ativas mais de 700 Confrarias da Misericórdia, reunidas desde 1899 na Confederação Nacional das Misericórdias de Itália. As suas atividades de voluntariado vão desde o socorro sanitário com ambulâncias até à gestão de centros sociais e residências para idosos, bem como à Proteção Civil.